Não que a vida de todo fosse deplorável, havia as estrelas . E muito mais do que aquilo que transformava suas sólidas estruturas em pó no momento. Mas não pode evitar o pensamento de que todo esse sofrimento iria cessar, também, quando a vida cansasse de trazer o ar para seus pequeninos e insignificantes pulmões, quando emaranhadas numa corrente contínua, a luz e a escuridão morressem dentro dela...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
As conchas, que eu não sei se são do meu quarto.
em algum momento, se perdeu em mim, esse meu jeito de ver o mundo
de escrever as coisas,
de amar as coisas.
Está sendo como um grande amigo meu disse: Minhas palavras se perderam no caminho para a boca.
Eu diria que as minhas não encontram o caminho para as minhas mãos. De surdo. De marcas de lápis escuros.
Afinal, como bem sabem aqueles que me conhecem
Meu som nunca foi reflexo de minha voz
Os sons que saem desses lábios congelados são muito pouco meus.
As letras.
São essas minha voz.
Essas palavras desenhadas
pelas minhas mão sozinhas, guardadas.
Elas que respiram meu ar e cospem meu amor para o que quer que seja esse enorme globo azul.
Há uma concha na minha escrivaninha.
Repito,
Há uma concha branquinha na minha mesinha de vidro.
Eu quase não acredito.
Mas muitas palavras precisam ser repetidas e traduzidas
porque só assim a gente pode se acostumar com a verdade que contêm elas.
Tão quebrantáveis as duas são... Estilhaços. Pequenas poesias caídas em pozinhos no chão.
É bom ter um pedaço do mar no meio do coração da cidade.
É bom andar nas calçadas fechadas e ver um pouco de areia e alguns pedaços de conchas quebradas.
É bom saber que tudo isso um dia foi água.
E que antes de ser água não era nada.
Que as coisas se destroem e se reconstroem.
Essa tristeza desbotada que sustenta meu olhar
nas horas mais geladas
olha agora para essa concha tão amarelada:
Tá tão deslocada...
Mais que lugar esquisito para ela! Não é?
Mesmo assim, todos que passam
também sentem, lá de longe,
uma calma emanar dela.
Essa concha é tão carregada!
As mínimas cores espalhadas:
o alaranjado dos pés, o cinzento do alto, os pingos de vinho claro e o branquinho que destoa pelo seu corpo manchado.
As linhas afiladas fazem seu contorno: do céu ao chão.
Essa concha carrega uma história
e cada traço, cor e forma
que são sustentados por ela
de algum modo,
a suspendem também.
Mantendo-a de pé.
Estável num mundo tão esquisito
que não parece o dela.
Essa concha, que também guarda uma parte minha...
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
Sobre ela.
Seu nome nunca chegou aos meus ouvidos
e sua identidade nunca fora tocada pela minha...
O que eu, desconhecidamente, posso sentir de uma acontecimento assim? Será que posso?
Era tarde e o sol ainda não tinha deslizado pelo céu
Era de tarde e o sol ainda brilhava lá de cima.
Mas eu diria que para ela,
o sol já deixara de brilhar há muito tempo.
Ainda temos a quem culpar quando nos tiram
uma amiga,
uma irmã,
uma filha,
podemos reclamar com a injustiça da vida ou até com as ordens de Deus.
Mas não agora,
não dessa vez.
Como um corpo pode querer cair?
Como um corpo pode não querer mais sentir?
Como ele não pode mais estar aqui?
Detesto não ter ganhado uma pista.
Uma única pista.
Para ir correndo abraçá-la
e lhe dizer que o mundo ainda lhe guardava um lugar.
E que a ausência do amor não indica necessariamente sua inexistência,
que ele ainda podia emergir e se tornar mais forte, mais sensível, no meio desse caos depressivo.
Quanta vida havia dentro desse corpo para ele não querer mais viver?
Quantos segundos ele teve para morrer?
E há quanto tempo a morte já não havia circundado por ali?
Eu quase não tenho respostas. Eu quase não tenho certezas.
O mundo me mostrou uma outra face. A face de alguém que se atreveu a não estar mais aqui.
É preciso muita coragem para desistir.
Mas principalmente de si.
Onde está a mágica do mundo?
Perguntam os olhos que mantêm-se na força de procurar.
Mas e aqueles que nem forças mais tem?
Nós somos a mágica do mundo.
Podemos dar sentido a vida, assim como podemos tirá-lo.
Quando sentimos tanta dor, a morte aparece vestida de liberdade.
Quando sentimos tanta dor, deixar de existir é a única respiração que conseguimos dar.
Quando sentimos tanta dor, nenhuma memória é capaz de nos sustentar.
Quando sentimos tanta dor, é latente a escuridão que deixamos de gritar.
Quando sentimos tanta dor, as cores da morte passam a ser mais claras.
Quando sentimos tanta dor, enxergamos a paz por trás da morte.
Como um corpo pode não querer cair?
Num mundo em que não há beleza,
num mundo em que não há justiça,
num mundo em que não há valores,
num mundo em que não há harmonia
num mundo em que não há coração.
É fácil ver essa face do mundo, pois ele faz questão de nos apresentar.
No entanto, meu coração ainda bate, e eu ainda vivo.
Meus olhos ainda se importam.
Minha alma clama pela vida, pela magia e pela transformação.
E minha pele sente latejando as oportunidades que tenho
para afirmar quem sou e melhorar o mundo como posso.
Eu me importo.
sábado, 7 de novembro de 2015
E de alguma forma, ela deixou de ver o mundo como eu vejo.
tão vazias agora
arranharem minha pele como folhas secas.
Tantas folhas, tantas folhas
suspendidas por nós,
a tanto tempo
tanto tempo
em nossos calendários mágicos...
esse tempo construído para tentar ocupar o vazio da humanidade.
Não, você sabe:
Não cabe em nós o movimento desses ponteiros inexplicáveis.
E sabemos, assim como todos aqueles que sentem o amor,
que esse tempo, não pode ser medido, explicado ou justificado por qualquer outro que exista.
Porque, nossos ponteiros são guiados por nossos corações. E há um tempo dentro de cada um de nós.
Inigualável
a qualquer outro existente:
Estamos vivos.
(E por favor, não faça esse favor para eles...)
Não dê a eles essas risadas grossas que tanto adoram
esses risos frios que só existem por serem movidos por tanta ignorância
que só se formam nas gargantas vazias
e que são incapazes de compreender a profundidade de nosso interior
Essas gargalhadas refletem morbidez
em meus olhos tão estranhos
Não faça essa destruição
começar um furo maior em meu peito
como algo que se expande e se funde através do tempo
Eu não aguentaria carregá-la sozinha. Não agora.
Sozinhos.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
O mais lindo, altivo e desastroso poema de Buk: um dos primeiros. *--*
-B. <3
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
À música que circulou minhas veias, trazendo ar para meu coração.
São poucos os momentos que você se sente sincronizado com o mundo. Quando olho ao meu redor, me sinto em cada coisa que vejo tão ao mesmo tempo, em que as sinto dentro de mim. O movimento ondular do véu que cobre o prédio em construção-lá fora-, o balanço da toalha branca sobre a mesa-aqui dentro-, conversam silenciosamente comigo. Os tecidos incorporaram a alma das ventanias, e é por meio dela, que se movem.
A escuridão não é mais algo que lhe amedronta, tornou-se -apenas- algo incompreensível. Difícil, e quase estranho de se compreender.
Se torna presente, a falta da noção dos lados internos e externos a você, assim como também desaparece a linha, a ideia e a imagem que te separam do mundo.
Me encontro lá fora.
Me imagino como um dente de leão que flutua pela cidade com meus pés de bailarina. Eu estou feliz e meu corpo balança entregue a essa camada na atmosfera que começa a surgir -não sei como- em meus ouvidos. Pela música que toca.
Nada pode mudar esse momento. Não é possível reconhecer meus sentimentos tristes aqui. Apenas a morte de quem eu fui, minutos atrás. Antes do início da música.
Chegou o momento agora,em que na procura da escuridão e da cegueira, minhas pálpebras -em reverência- começam a se fechar, lentamente. Centenas de explosões acontecem aqui. Pois a porta para toda essa avalanche de sentimentos não está naquilo que meus olhos alcançarão, mas sim, naquele único som que meus ouvidos conseguem ouvir.
E, com toda essa ausência de imagens que a cegueira escolhida me trás, posso ouvir sem entraves, o que a música me faz.
Me dando a vez de sentir aquilo que grita, emerge e salpica dentro de mim.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Eu só queria que as risadas preenchessem a noite.
As divisões dos dias e os números no relógio,
quebraram-se em pequenos cacos de vidro
que voaram por não caberem mais no meu caos.
Não foram para longe, só eles.
Mas o amor que eu expulsei com meus pontapés
aguados por dentro e armados por fora
pela porta.
Não se vê mais palavras em meus olhos
Pois não há terra que aguente
sem guerra
palavras sem significado.
Não há palavras onde não aja olhos
de suspensórios para elas.
Como farelos de pão
morrem os morfemas
deitados no piso da minha alma
vazia e cheia de podridão.
sábado, 24 de outubro de 2015
Minhas reflexões sobre As portas da percepção.
A mescalina encontrada nos cactos mexicanos, quando ainda era desconhecia pela ciência, já era, desde muito tempo, reconhecida como divina para algumas tribos indígenas que viviam no México e no Sudoeste dos Estados Unidos. E só foi a partir do fim do século XIX, que começaram realmente a estudá-la, analisá-la, entendê-la cientificamente.
Neste livro, Aldous Huxley conta-nos sua decisão de tornar-se cobaia voluntariamente para a pesquisa, e consequentemente suas primeiras experiências e sensações a respeito dos efeitos da droga.
" Administrada em doses adequadas, ela modifica mais profundamente a qualidade da percepção que qualquer outra droga à disposição da farmacologia, a isso aliando o fato de ser menos tóxica que as demais".
A primeira surpresa que Huxley se deparou foi de como as coisas não aconteceram de forma que ele imaginava que aconteceriam, com expectativas altíssimas imagina ver figuras heroicas, paisagens belas, templos fabulosos, tudo de olhos fechados. Mas não foi nada disso que aconteceu. O que ele entendeu foi a si mesmo, e como cada ser age e reage de maneira diferente no mundo, inclusive perante a droga. Suas estruturas biológicas e suas próprias vivências o faziam ver o universo a partir de sua única maneira.
O que torna impossível entendermos exatamente o que o outro sente, mesmo que aja uma identificação, não estamos no corpo e na mente dele e não podemos ver através dos seus olhos e sentir pela sua pele,o que podemos fazer é imaginar ou lembrar de uma situação parecida a qual nos ocorreu. E assim, compreende-lo, mas nunca por completo. Em outros casos, a conexão entre os dois universos humanos chega a ser inexistente.
Assim Huxley afirma que existimos a sós, não importa a época ou o tempo em que vivemos. E que somente indiretamente, por meio dos símbolos, é que podemos transmitir nossas experiências, sensações e vivências ao outro, que poderá guardar informações sobre elas, mas nunca elas mesmas. Pois estas, estão conosco. Pertencendo unicamente a nós, em nosso próprio universo.
Somos como bolhas silenciosas que flutuam a medida que se expandem através do tempo. E às vezes, nos esbarramos, crescendo, e às vezes nos separamos, morrendo. Para depois renascer. A singularidade nos preenche ao mesmo tempo em que fazemos parte de um só único universo que nos engloba e nos envolve, fazendo-se também parte de nós.
"Por sua própria natureza, cada espírito, em sua prisão corpórea, está condenado a sofrer e gozar em solidão[...]"
Se tratava apenas, de outro mundo.
Aquém desse que vemos com olhos diários e cinzentos, carregados de horários e compromissos importantes e manchados de pressa e estresse.
Além das margens as quais costumamos enxergar, por cima dos túneis infindáveis das preocupações rotineiras.
Um mundo no qual, não é necessário nenhuma droga para entrar, pois ele está dentro de nós.
Esse mesmo mundo que Huxley e tantos outros já chegaram a sentir, não se encontra debaixo dos olhos fechados, mas naquilo que nossa visão humana é capaz de ver.
Onde a passagem para ele está na extraordinária mudança da percepção dos fatos objetivos.
A começar por flores, mesas, cadeiras, escrivaninhas e depois livros, imagens e calças de flanela, Huxley perde seu olhar antigo e incorpora outro, onde todas as coisas são belas.
A disposição em que os objetos se encontram deixa de importar e o tempo no qual você não está mais imerso se esvai.
Apagando noções temporais e espaciais seus sentidos intensos te cobrem como uma nuvem mágica. E você passa a ver em cada fragmento da vida, o universo. Como se cada parte fosse completa por si mesma estando inserida no mundo dela. Nas flores e em sua cores, você não só sente o pulsar da vida, mas como também sente a si. Porque você está dentro de cada coisa e elas também estão dentro de você.
"[...] Um perpétuo perecer que era, ao mesmo tempo, puro Existir"
Nessas ocasiões, sua mente é preenchida pela essência e pelo significado das coisas, e sua atenção é voltada apenas para a importância da profundidade em que as coisas se encontram e que têm em si mesmas.
Enquanto ocorre uma despersonalização, como se você deixasse para trás uma parte do ser que era e passasse a focar numa única parte de si, transcendente.
Essa parte que você deixa para trás, é sua parte funcional, ativa, aquela que realiza e quer realizar ações cotidianas e tarefas inadiáveis durante a semana. Estando apenas com a sua parte contemplativa.
Assim, Huxley entra numa questão: como podemos conciliar o êxtase com a vida? Ou melhor, como podemos viver ao mesmo tempo, a vida contemplativa e a vida ativa?
Não podemos. Não inteiramente cada uma delas, mas parte delas.
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
À três anos atrás... quando eu fui embora.
Esperando que não deixe sair de mim o que mais tenho aqui: essas palavras
que moram em mim...
Meu último desespero é agarrá-las nos braços
deixando meu abraço não deixá-las ir
São elas que me tem.
Mas preciso contar a história direito:
foi uma música que despertou esse sentimento
agudo
confuso
esperneado
e deixou crescer em nós meu pensamento.
Meus pés estão postos na areia que enfrenta o vai e vem das águas familiares e esquisitas.
Fico aqui no balanço entre enfiar meus dedos nessa areia, me mantendo de pé
ou se corro para mergulhar em algo que não é meu, nesse mar de águas tão desesperadamente desconhecidas e assim, tentar escurecê-las com meu nome desmanchado em tinta.
Na dúvida
entre olhar para as portas de uma página em branco
ou cerrar meus olhos para encarar a escuridão que reside em mim.
Na hesitação
de qual escolha tomar dentre
o medo de enfrentar a estrada deserta novamente
ou sustentar o peso de quem sou
Dói. Dói demais estar em mundo no qual não me respeita e depois que ainda me ensina a não me amar.
Fico aqui pensando nessas facadas no estômago
e tentando não pensar que o melhor é abrir mão.
Tentando não pensar que o melhor é me deixar ir,
pelo simples fato de não me aguentar mais...
Me representa na dor, a arte que minhas palavras não conseguem ser.
O feto de arte que deixei morrer estacionado em mim.
A muito tempo atrás, a três anos atrás.
e que ainda mantêm a dor pulsante numa reta crescer vazia
Não dá pra se apagar o passado,
não dá pra apagar o momento exato
em que decidi me deixar partir há três anos atrás.
Só da pra viver com essa escolha.
E não me matar mais.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Às vezes você entende porque seus sentimentos precisam voar.
A sensação inexplicável ao fim dos dias, a qual me devorava por dentro, era a de que meu dia, não poderia terminar daquele jeito. Não cabia a ideia de simplesmente ir pra casa e me despedir do mundo. Não. Era preciso fazer mais alguma coisa.
Uma energia sacudia em meu peito como uma emergência. Eu a escutava quando apenas a minha companhia não fazia sentido para mim. Eu precisa expandir aqueles sentimentos, mas não a qualquer pessoa, gostaria de contá-los por meio dos meus gestos, dos meus pulos, e dos meus olhares, como eu amava o mundo! Como de vez quando essa sensação me atravessa e não bastava guardá-la sozinha. E a ideia de uma boa música por trás disso tudo, seria ao mesmo tempo como uma facilidade e afirmação.
Quando me esgotasse e mais nada meu corpo tivesse a dizer, iria embora. Dessa vez, para casa.
Mas isso nunca acontecia, procurava, procurava, sem me cansar, um alguém com quem fizesse sentido esse balançar.
Ninguém aparecia, os poucos que esbarrei, não estavam no mesmo barco que o meu. Era preciso sintonia, alegria. Eu queria um corpo com saudade da liberdade, queria compartilhar um olhar de amizade.
Mas eu não tinha ninguém, disposto, comigo, e até por perto.
Por várias noites, eu tentei:
Com o tempo, pude perceber, que as pessoas dificilmente mostravam o que sentiam, e o que transpareciam, na verdade, era o que elas gostariam de estar sentindo,
mas não conseguiam.
Ajudava no disfarce também, além da vontade, a diversidade das drogas que usavam.
Percebia isso ao mesmo tempo em que sentia estar no lugar errado.
Elas faziam isso com naturalidade, como se fizessem todos os dias, fora dos bares e dos shows. A diferença era que a coisa gritava ali.
Uma vontade dentro de mim, tentava não achar tais lugares muito banais, surreais. Enquanto uma sensação horrorosa de deslocamento berrava para mim.
A mesma mão, eu sentia balançando a minha respiração abatida de quem estava começando a se acostumar com essa procura demasiada e vã.
Eu queria me expandir também, mas não podia.
Houve um dia, em que quis contar mais, sem precisar da dança ou do corpo, o simples falar ajudaria.
Mas também não havia ninguém.
E a vontade só crescia.
Me sentia completamente sozinha.
domingo, 27 de setembro de 2015
sábado, 26 de setembro de 2015
Onde está a essência da humanidade? (Terminado)
Tara estava sozinha em casa. Eapenas longe dos seres humanos é que abria as portas para seus sentimentos escorrerem.
Tudo estava perdido.
Percebia que a fuga dos seres humanos, não estancavam seus sofrimentos.
Como faria para se soltar das amarras que havia, ela mesmo, se prendido?
As correntes não eram palpáveis, estavam emaranhadas num mar de causas e sentidos que ela mesma desconhecia.
Como desabitar algo que fora, um dia, necessário ser habitado?
Toda a dor a preenchia agora.
Àquelas conversas, aquelas risadas, aquelas pessoas,
nunca chegavam a lugar nenhum.
Os seus corações permaneciam desabitados.
Preenchidos pela ausência de brotos e pelo chão sem raízes.
Não havia nenhum sinal de empatia ali que não fosse falso.
Não cativados, porque não tinham tempo ou vontade para se deixar cativar, eram seus corações.
Os olhos de Tara, nunca haviam se deparado com terras cardiológicas tão secas como aquelas.
Que mundo era esse?!
Onde estavam os sorrisos sinceros,
o risco de mergulhar em alguém desconhecido,
as palavras cheias de sentimentos profundos,
a sinceridade sem propósito,
a compaixão mundana?
sábado, 19 de setembro de 2015
O dia não pode ser uma despedida.
Ficar longe de você, é como ficar longe de mim.
Por isso sinto a distância como um perigo entre nós.
Caso ela se materialize entre nossos corpos tão frágeis, irei me perder de mim.
E um buraco crescerá enorme aqui,
Mas preciso te dizer isso:
Não importa quantas máscaras você escolha ter
ou por quanto tempo elas fiquem com você
um dia, você vai ter que ser você
Nesse dia, você terá que suportar o peso acumulado de ter sido alguém que não queria, mas que sentiu precisar ser.
um dia, os seus medos vão se eerguer
e nenhuma máscara será capaz de te proteger mais,
Eles vão te bater forte, amigo.
E se tornarão muralhas altas demais
Mas até mesmo escolher outro alguém para ser
quando não quer ser o que já é
te faz singular,
porque, afinal ,
algumas máscaras são parecidas
mas nenhum é igual.
E eu desejo ardentemente conhecer todas as suas máscaras
E te proteger quando seu maior inimigo for você
Garanto que quero estar com você até mesmo quando todas as suas cores se despedirem
E eu quero que essas palavras sejam como pontes entre nós
Que esses sentimentos cresçam para andarmos sobre eles
Porque nossa amizade é tão linda, ela não pode morrer
( em construção ~~)
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Quando os ponteiros nada dizem sobre o seu tempo
domingo, 6 de setembro de 2015
Felicidade repentina no meio da tarde
histórias que li, história que vivi, histórias que cresci.
Em minhas pequenas ações
não para
o tempo todo.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
A cor que pousava sobre meus olhos
Não era propriamente a soma desses fatos que me deixavam mais à vontade no café, mas principalmente, todas as paredes vinho avermelhadas serem cercadas por quadros fotográficos de cor preta e branca. Minha semelhança com essas figuras incolores era maior do que com as pessoas de carne e osso ao meu redor. Chegava até a achar que a imagem dessas pessoas já mortas, exalavam mais vida no balanço dos seus traços - capturados pela câmera - do que muitas outras que meu corpo chegara a conviver até então. Seus olhares não evasivos, alcançavam minha alma e seus gestos cheios de carinho antigo me convidavam para sermos amigos. Me via pertencendo àquelas pessoas principalmente porque nossos limites de relações humanas eram meras observações diárias. Sentia em cada milímetro de meu corpo que aquelas pessoas me entendiam, e que eu estava presa ao mundo delas, mesmo estando fisicamente fora dele.
sábado, 8 de agosto de 2015
Jockey Club
Como um tapete mágico sendo carregado pelo vento, eu fui... Viajei nas imensas satisfações que um dia é capaz de nos dar.
A vida não passava de sapatinhos coloridos e o céu pela primeira vez não se cansou de si. Permaneceu agarrado com a vivacidade do seu tom azul cru. Permaneceu...Permaneceu pelo verão, quando minhas agonias borbulhavam-me, permaneceu pelo outono, quando de mim, despencaram suavemente os meus melhores medo, permaneceu pela primavera , quando nasceu em mim despercebido um desejo de vestir alegria, e permaneceu, também, evitando que o inverno chegasse a minha alma.
Enquanto o dia escurecia, "uma brisa fresca vestia o céu de um azul vibrante"*
* Záfon, A sombra do vento. Pg. 164
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Meia salamandra
Na nossa história, pai, eu só via esse silêncio ensurdecedor, essas portas despedaçadas no meio, a poeira no chão da casa, e a escuridão infinita que servia como cobertor para o restante das paredes. Mas a existência de algumas cores, pálidas, são reais, não são?
Construí meu cais sozinha, para firmar as margens de nosso relacionamento. Parar criar um limite que a minha vida toda permaneceu impalpável. Para dar fim a fluidez das linhas que me separavam de ti. Durante anos, tentei construí essas muralhas entre nós, sem saber ao certo se as queria prontas, sem saber ao certo se queria finalizá-las, sempre deixando um espaço em branco a ser preenchido por você, que agora pode ser chamado (unicamente) de esperança vã, isso foi um erro. Deixar esses espaços vazios na época só me abriu ainda mais para o seu alcance, para a destruição que sua voz fazia quando tocava em mim. Deixar esses espaços vazios como portas abertas por pura esperança foi um erro demasiado.
Hoje, essas paredes estão finalizadas. E elas me protegem agora, apesar de ainda terem essas marcas dá maré friamente forte.
Hoje, as muralhas estão prontas. E a distância entre nós concretizada.
Eu não queria muitas coisas, uma pausa para me esperar enquanto corríamos na beira do mar, uma pergunta sincera sobre mim, menos silêncio e mais conversas, a aniquilação da fúria descontrolada em troca da fé calma de uma diálogo, uma camisa emprestada e não roubada para dormir no inverno, mais amor e menos guerra, a presença em troca da ausência perene.
Mas eu não sou uma dessas crianças que nunca conheceram seus pais, talvez essa teria sido uma história melhor para nós. Eu te conheci, pai. O pouco que você me permitiu. Hoje tenho em mente a visão da inexistência dessas cicatrizes se você não tivesse ficado por aí. Um corpo sem marcas profundas. Noites inteiras sem urros de dor a serem abafados pelo travesseiro.
Mas até mesmo essas cicatrizes podem ser cobertas por roupas e máscaras. O que não consigo escrever aqui é do que resultou quando nossos universos realmente se confrontaram. Apenas foi mencionada a exterioridade desse desastre de consequências. Não posso falar sobre as coisas fincadas em minha memória, em meu corpo, em minha personalidade. Não consigo falar dos pingos embrulhados que me firmaram, ou das pincelas que mediam minhas ações até hoje. Não posso falar da parte que é sua em meu timão.
Não consigo falar da distorção da imagem sobre mim mesma que você deixou, que você acrescentou a cada palavra cuspida, com seus gritos e gestos descontrolados. Não consigo falar dos medos que me dominam quando as pessoas esperam algo de mim. Não consigo falar da injustiça que sinto quando alguém cobra algo de mim. Não consigo falar do medo da decepção. Assim como não consigo falar dos resquícios desconhecidos e das ameaças deixadas até então.
Obrigada por me dar medos e não me ajudar a solta-los.
Pai, agora você não pode mais me destruir. Eu estou grande.
Nenhuma âncora vai ser jogada por sua causa mais.
Sabe aquela determinação brilhante no olhar? Ela ainda está aqui.
E meus lábios continuam firmemente fechados, estampando o orgulho que sempre esteve comigo durante seus ataques.
Meu nome não é teto para suas vontades, e meu sangue não é permissão para suas atuações.
Meus ouvidos não são obrigados a escutar, e minhas costas podem se virar, sim!
Nas passagens para minhas terras serão colocadas esfinges impetuosas
E nos calabouços do meu castelo só serão permitidas sombras de objetos inanimados.
Seus incêndios serão apagados pelas minhas ondas e nenhuma fumaça chegará aos céus.
Você nunca quis saber minha música preferida, Pai.
Você nunca quis saber porque minha cor preferida era verde, Pai.
Você nunca quis saber porque eu gostava de ler tanto, Pai.
Você nunca me perguntou porque eu escolhi filosofia, Pai.
Você nunca quis saber nada sobre mim.
Minha imagem já estava feita em sua mente antes mesmo de eu nascer, e enquanto eu não fui alguém, enquanto era apenas um bebê, você verdadeiramente me amou, por saber que eu era exatamente do jeito que você queria. Mas você nunca me deu espaço para conhecer quem me tornei. Seus julgamentos sempre foram tampões para esse caminho.
Eu não sei mais discernir a ordem do que aconteceu conosco.
Minha independência te assustava?
Você me assustou quando exigiu duramente meu amor por você. Você tinha medo, Pai? E porque demonstrava tanta raiva?
Depois tudo piorou. E melhorou algumas vezes.
Suas tentativas de roubar meus sorrisos,
suas respostas amarguradas,
seu tom de voz transbordando repúdio,
sua capa fria,
me fizeram desistir, Pai.
Mas ainda não sei porque tanto ódio,
Será que porque era feliz mesmo não estando no caminho que você planejou para mim?
Nossos diminutos contatos não me faziam bem, não lembro a última vez que fizeram.
É por isso que decidi sumir, Pai. Suas pisadas eram muito fortes.
Sem despedidas.
E sinceramente, não estranho que esteja sendo como sempre foi.
Eu, sem você.
Bem vindo ao conjunto dessas pessoas as quais eu não preciso.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
A liberdade do inverno
A muito tempo atrás fui integrante desse palco de sorrisos, ainda que não completamente, dessa constante afirmação de que estamos bem. Lembro que fingia, ainda quando era criança, para me proteger. Usava a alegria como uma capa de chuva para não espalhar tristeza, e talvez, por ainda não saber lidar com ela.
Sei que não completamente porque na escola, subia numa árvore temida e despercebida por todos, não somente pela altura, mas principalmente pelo seu reflexo sombrio. Sentia certa empatia naquela estrutura excêntrica e asquerosa ao mesmo tempo. Lá em cima, a separação entre mim e os humanos, me curava. Eu não precisava mais fingir que o sangue não escorria. Eu não precisava fingir que não chovia. Eu podia ver através dos muros da escola, e meus olhos brilhavam. Certa vez vi um velhinho atravessando a rua, e ele notou meus olhinhos erguidos junto ao restante de minha cabeça acima da beirada do muro, lembro que ele piscou para mim, e eu de volta, mostrei o melhor sorriso que tinha escondido no olhar. Pronto, aquele era o nosso segredo. A imaginação floria e as minhas máscaras sucumbiam. Conversava com fadinhas e lagartas, habitantes da minha morada. Não me lembro de ir embora de lá. Nenhuma vez.
Será que todos tinham um esconderijo secreto como minha árvore também?
Um lugar onde fosse mais que permitido a própria essência?
Um lugar para lidar com toda a dor sozinhos?Hoje, sei que não se trata de afirmar nada, os rostos estão rodeados de negações. Enquanto negam para o mundo, também negam para si. Vibra nos corpos a necessidade de apresentar uma vida perfeita. Afinal, para que serve os símbolos? Os carros, as profissões estimadas, o dinheiro. *Essa mão invisível que trabalha controlando-nos, mesmo que a empurramos, ultrapassando nossos limites de dor.*A felicidade é quase uma obrigação, e a tristeza é sinônimo de fraqueza. O que é realmente ser feliz?
A felicidade não abarca para mim um verbo constante, nós não somos felizes. Nós estamos felizes. Ela vai, e volta numa parábola perfeitamente saudável ao longo de nossas vidas. Tal como o balanço de todos os outros sentimentos que afloram e morrem dentro de nós.
Por isso, e por outros motivos, permito a transparência me fazer uma visita as vezes, e é então que encaro os olhos surpresos mostrando estar exatamente do jeito que estou. Assim como aqueles sujeitos que não possuem mais força para abotoar o disfarce. Ambos deixamos o sentimento transbordar. Entretanto, os nossos componentes diferem, esses sujeitos fazem isso porque já foram abordados demais pela vida, a vida que lhes arrancou quase todas as cores, a vida que lhes tirou vida. Mas eu não, dominam-me a raiva e a indiferença às opiniões. É o que estou sentindo agora e pronto. Nada mais. Por que não podemos ser estranhos?
* Parafraseando Elliot, personagem da série Mr. Robot.
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Carlos Ruiz Zafón
Pois bem, o que posso dizer, até agora, é sobre uma leve sensação de transbordamento ao levar a lembrança dessas histórias a minha consciência desvanecida; como uma alga marinha recém-nascida que cresce olhando para as metamorfoses do céu, que cresce olhando para as incontáveis faixas lambidas de ouro deixadas pelo sol longínquo, (faixas que penetravam dois mundos dançando com uma suavidade espantosa), ao mesmo tempo em que sente todo aquele universo aguado lhe preencher; dominada pela paz da imagem que lhe envolve lá de cima, lá de tão longe, mas sentida fortemente pelos seus olhos.
Eu sou essa alga marinha, e a paisagem que vejo de tão longe, a sentindo tão de perto, são as páginas dos seus livros. E a sensação transbordante é só um reflexo de tudo isso.
MARINA. Primeiro livro lido, meu, sem dúvidas, preferido.
Záfon abriu meu coração assim como ventanias abrem portas: num só galope. Depois que li Marina pelos lugares que viajei, fui sentindo impressionada o impacto assustador que esse livro me causou. E só agora me dou conta de que não consigo tirá-lo da cabeça - não somente apenas o término, mas também, enquanto meus olhos perpassavam aquelas linhas escritas pelas suas mãos -. Na medida em que ia lendo desde o primeiro parágrafo até o último, tive a dura e leve sensação de ver meu coração se abrindo e cada palavra cair em direção a um lugar secreto que há muito tempo eu havia transformado em desconhecido dentro de mim. Esse lugar embarca pavores misteriosos, sem rédeas, incontroláveis. Talvez por isso sentira a destruição dolorosa chegar enquanto terminava aquelas últimas páginas do livro... As imagens emergiam lentamente diante dos meus olhos enquanto minha boca engolia aquelas letras. E meus olhos jamais haviam visto tamanha agonia.
Me senti destroçada, arrepiada, perdida. O chão construído pelas minhas mãos desabou. Esse mesmo que havia criado para me esconder dos pensamentos que perambulavam minha mente inquieta. E um terror mágico me inundou... Pude sentir, a flor da pele, a dor da humanidade, a dor de histórias que já foram esquecidas e talvez nunca lidas por alguém, além de quem as viveu. Marina é incrível, é real, é doloroso. E ao mesmo tempo encharcado de uma beleza fantasmagórica inabalável.
O PRÍNCIPE DA NÉVOA.
Terminei de ler o Príncipe da Névoa e novamente, senti aquelas frases grudarem em minha pele. Cada palavra parecia derramar um vapor de tinta em mim, o qual denominarei de tristeza e paralisia. Quase uma resignação inevitável. Ao chegar em casa, tomei um banho, na esperança de que aquelas correntes incessantes de água levassem consigo as frases coladas em meu corpo, relutei. Mas as frases permaneceram sólidas aqui, até agora. E sinto que vão permanecer, pairando-me, por um longo longo longo tempo. Um tempo insustentável. Acredito que a história se trata, sobretudo, de amor. De um amor inimaginável, mágico. Sei bem que todos nós já o sentimos, sem perceber, mas o deixamos escapar, por motivos tão incompreensíveis quanto internos. Fala também, sobre o perdão, sobre a força de se manter vivo, sobre o entendimento mágico, invisível, e silencioso que podemos ter com alguém, e sobre proteção. Se não me engano, quase todos esses sentimentos, são sustentados unicamente, por esse verbo: amar. Qual como no livro, na vida real.
terça-feira, 21 de julho de 2015
Uma manhã nervosa.
Foi no caminho vagaroso para casa, que me resguardei dentro da minha concha azul, imersa em mim, a medida que meus pés pisoteavam, sem querer, nas poças das ruas de barro. E tudo parecia estranhamente normal, quando senti os olhos do ônibus, daquelas pessoas de passagem; foi uma entrada terrivelmente assustadora, e brusca, pois estava completamente muito longe dali, muito longe daquela janela chuvosa e daqueles degraus rachados. Odiei decifrá-los. Odiei esbarrar com os olhares sentados no ônibus. Odiei esbarrar com suas emoções penetrantes. E de alguma forma, eles estremeciam as águas planas de minha alma, causando perturbações no meu comportamento longínquo. Eu queria aquele tempo minúsculo para mim.
Havia uma garota. E ela me olhava de um jeito torto enquanto eu mantinha o olhar na altura dos seus, tentando não andar para trás. Enquanto tentei lhe dizer sobre o véu de frieza que a cobria, "você é só uma criança, todos nós somos, não precisa dessa morbidez. Não precisa me esnobar para se proteger. Você é uma criança, não devia passar por tantas coisas, nem lidar dessa forma com elas. O que aconteceu com você? Não devia achar que precisa dessa capa roxa que apodrece a alegria que há aí dentro, menina"
Entretanto, sei bem, que dificilmente meu olhar a alcançou, somente palavras seriam capazes de fazê-lo, e elas não estavam caminhando comigo nesse fim de manhã. Meu rosto fechado impedia que abrissem minhas portas, eu mantinha o controle do meu organismo vivo sob o céu cinza, voltando para casa.
*Záfon, A sombra do vento. Pág 144.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Isso não é uma poema, é só mais um dia pintado de branco pelas mãos do vazio.
quarta-feira, 15 de julho de 2015
4:48 A.M
Tomei um banho de mar.
e me afoguei na fumaça que penetrava meus pulmões.
Quando cheguei em casa,
parei diante desse retângulo que me dá luz, e observei, escrevendo isto aqui:
A cidade dorme.
As ruas estão densas
pelo profundo silêncio que se desmancha sob elas.
Os galhos balançam frios e suavemente me provando que o mundo,
não morreu.
Enquanto o vento frio esboça meu rosto, os pássaros cantam sutilmente para as calçadas vazias.
E o fim do céu pintado de azul bebê recebe ainda pequenos pontinhos estrelados
ao mesmo tempo em que
o seu início, permanece amarelado
abordado pelos primeiros passos dos sol.
A janela domou meus olhos tão penetráveis
Mas meu corpo se sente distante
pois ainda carrega o mar em seu peito
Eu não te deixei, Mar.
Te trouxe junto a mim.
Seu cheiro ainda está em meus cabelos salgados,
e sua areia ainda ama minha pele peguenta.
O incrível se mostra aos meus olhos
quando vejo que a imagem a pouco descrita
está mudando,
no tempo do balanço dos meus cílios.
Como é rápido o amanhecer...
Daí,
Todo o cenário já não pode mais ser sentido da mesma forma.
Tudo passa a ter um novo aspecto, cada vez menos espectral.
Por causa do dia, que está crescendo.
NA PRAIA
Enquanto as coisas morrem dentro de mim
Ando alguns passos enterrando meus pequeninos dedos na areia da praia
E sinto minhas mãos pegajosas pelo sabor das ondas ...
Vejo o medo configurar-se como um braço estendido a minha frente...
E as ondas balançam como meus cabelos: cheirando a beirada de uma liberdade almejada
Sinto o azul do céu escorrer e cair feito pétalas sob meu corpo frio
Vou sendo vestida lentamente por essas águas que começam por tocar meus pés
E a nudez evapora suavemente de mim
Enquanto uma energia salpicada estende-se não só pelos meus braços e pernas mas pelo meu
Grande
Insensível
Branco
E vazio
coração
A violência é anunciada pelos movimentos virulentos do mar
E o cheiro de suspense estanca no ar
É a minha deixa?
sábado, 11 de julho de 2015
Findam-se os dias, então.
Ainda me resta algumas dúvidas de como fui parar ali. Será que errei as coordenadas por dar tanta atenção ao horizonte? Ou simplesmente fui pega por um redemoinho inexorável? Vítima ou protagonista?
Talvez os dois demais. Uma série de ondas me atingiu, ondas que jamais foram ou serão profundamente iguais a quaisquer outras, porque todas são individualmente assim, únicas. Tanto para o mar quando para o marinheiro.
Mas não foi tão rápido tue tudo aconteceu, não é que nem as dificuldades breves dos personagens dos filmes ou livros infantis, não é que vá aparecer um solução no final. O momento durou mais. O caos por baixo dos gritos e alarmes procede-se lentamente. Até o ponto em que você não sabe mais se deve imaginar um fim. Exceto o seu.
Sempre pensei nesse específico momento: a morte. Mas hoje decidi cortar as digressões e guarda-las para um outro texto, quem sabe, um tanto menos cheio. Portanto, indo direto àquelas perguntas que me visitam por vezes:
Qual foi o último pensamento de um suicida?
Quais foram as últimas palavras pensadas por uma mente que sabe que não vai mais existir em poucos minutos?
Quais são os últimos pensamentos de um ser que sabe estar a beira do abismo eterno?
Eles aceitam?
Ou simplesmente morrem com uma súplica de vida nos olhos?
Ou simplesmente morrem com a esperança repousada nos lábios?
Nesses dias fechados meus, pelo menos sei dizer que houveram pausas. Poucas, mas sim.
Pausas incríveis e inacessíveis. Cobertas de silêncio atingindo a minha não sólida alma.
Como pequeninas gotas de chuva em um chão rachado pelo deserto vazio.
Como ver o mar.
Na brecha de uma solidão imensa.
E a chegada do fim das pausas, me torpecia.
Eu sabia, acontecia rapidamente.
Como um relâmpago nos céus. Não precisava de muita coisa pra acontecer.
Meu coração em pânico, batia forte. Logo, meus pensamentos ficavam embrulhados. Eu não sabia como parar. Como parar a dor familiar que emergia dentro de mim. Por fim, mordia os lábios na tentativa vã de prender o sofrimento que ia se aflorando, de prender o sofrimento para não se expandir pelo resto de seu corpo, para não cair como lágrimas em cima das suas bochechas avermelhadas.
Existe uma história romântica,linda sobre um pequeno menino, que acredita na volta de um cometa quando todos os cientistas e pesquisadores afirmam a impossibilidade do fato, e algumas vezes esse menino até já esteve entre a maioria das pessoas desacreditadas, mas ele amava o cometa, e precisava acreditar no dia em que o cometa chegaria para trazer de volta a cor, a arte e a vida para ele.
Eu fui esse menino no passado, e acho que sempre serei.
Não que esses dias acabaram quando saí da escola,
quando não tive mais que ver tudo e todos acreditando no que eu achava um erro,
quando não tive mais que erguer forças de onde não haviam para levantar de manhã,
quando não tive mais que usar a mesma roupa todos os dias,
quando não tive mais que ser proibida de expressão,
quando não tive mais forças esmagando minha paixão,quando não tive mais que escutar no abandono frases caídas de podridão,
quando não tive mais que ver as consequências e os machucados nas pessoas desse erro escolar.
Não, não acabaram quando meus pés abandonaram aquele lugar...
Ainda ficou aqui, toda a dor.
Mas veio o tempo que não existia
e junto com ele a liberdade,
e a chuva,
e as flores que nasceram,
e, as flores que já tinham nascido.
E assim, esses dias beirados finalmente acabaram.

