terça-feira, 15 de setembro de 2015

Quando os ponteiros nada dizem sobre o seu tempo

O olhar do relógio me petrifica e seu arrastar me parece infindável.Ignoro os movimentos supérfluos, as vozes diversas e os cheiros dos perfumes imódicos que agora envolvem meu assento nessa manhã nostálgica. Convivo com histórias  ao redor de mim que não me interessam mais. As pessoas murcharam para mim como flores que despencam suas metades de vasos sombrios. As suas quedas lentas trazem uma agonia insegura para a minha esquisita consciência. E ao mesmo tempo me confirmam a lamentável verdade de que todas as coisas estão morrendo. Morrem de espírito aqueles abalados pelas forças enormes das ventanias. Eu sei o que está acontecendo: a vida está com pressa. Meu coração bate acelerado e a solidão quase me queima os pés. Não se passaram mais do que três minutos e todos esses sentimentos decidiram assolar a minha alma: o sentir jamais poderá ser acompanhado ou definido pelos ponteiros do relógio.

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