quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Eu só queria que as risadas preenchessem a noite.

Essa noite, esses dias, eu não sei.

As divisões dos dias e os números no relógio, 
quebraram-se em pequenos cacos de vidro
que voaram por não caberem mais no meu caos.
Não foram para longe, só eles.
Mas o amor que eu expulsei com meus pontapés
aguados por dentro e armados por fora
pela porta.

Não se vê mais palavras em meus olhos
Pois não há terra que aguente 
sem guerra
palavras sem significado.

Não há palavras onde não aja olhos 
de suspensórios para elas.

Como farelos de pão
morrem os morfemas
deitados no piso da minha alma
vazia e cheia de podridão.

















sábado, 24 de outubro de 2015

Minhas reflexões sobre As portas da percepção.

Esse livro, antes de tudo, me conduziu. Ao mesmo tempo, para mim mesma e para o mundo amplo em que permaneço. Tantas reflexões e observações acerca das experiências com a mescalina e seus efeitos alucinógenos me fizeram entender sobre a vida e o ser humano em si, incluindo principalmente suas capacidades mentais.
A mescalina encontrada nos cactos mexicanos, quando ainda era desconhecia pela ciência, já era, desde muito tempo, reconhecida como divina para algumas tribos indígenas que viviam no México e no Sudoeste dos Estados Unidos. E só foi a partir do fim do século XIX, que começaram realmente a estudá-la, analisá-la, entendê-la cientificamente. 
Neste livro, Aldous Huxley conta-nos sua decisão de tornar-se cobaia voluntariamente para a pesquisa, e consequentemente suas primeiras experiências e sensações a respeito dos efeitos da droga.
" Administrada em doses adequadas, ela modifica mais profundamente a qualidade da percepção que qualquer outra droga à disposição da farmacologia, a isso aliando o fato de ser menos tóxica que as demais".
A primeira surpresa que Huxley se deparou foi de como as coisas não aconteceram de forma que ele imaginava que aconteceriam, com expectativas altíssimas imagina ver figuras heroicas, paisagens belas, templos fabulosos, tudo de olhos fechados. Mas não foi nada disso que aconteceu. O que ele entendeu foi a si mesmo, e como cada ser age e reage de maneira diferente no mundo, inclusive perante a droga. Suas estruturas biológicas e suas próprias vivências o faziam ver o universo a partir de sua única maneira. 
O que torna impossível entendermos exatamente o que o outro sente, mesmo que aja uma identificação, não estamos no corpo e na mente dele e não podemos ver através dos seus olhos e sentir pela sua pele,o que podemos fazer é imaginar ou lembrar de uma situação parecida a qual nos ocorreu. E assim, compreende-lo, mas nunca por completo. Em outros casos, a conexão entre os dois universos humanos chega a ser inexistente. 
Assim Huxley afirma que existimos a sós, não importa a época ou o tempo em que vivemos. E que somente indiretamente, por meio dos símbolos, é que podemos transmitir nossas experiências, sensações e vivências ao outro, que poderá guardar informações sobre elas, mas nunca elas mesmas. Pois estas, estão conosco. Pertencendo unicamente a nós, em nosso próprio universo.
Somos como bolhas silenciosas que flutuam a medida que se expandem através do tempo. E às vezes, nos esbarramos, crescendo, e às vezes nos separamos, morrendo. Para depois renascer. A singularidade nos preenche ao mesmo tempo em que fazemos parte de um só único universo que nos engloba e nos envolve, fazendo-se também parte de nós.
"Por sua própria natureza, cada espírito, em sua prisão corpórea, está condenado a sofrer e gozar em solidão[...]"
Se tratava apenas, de outro mundo. 
Aquém desse que vemos com olhos diários e cinzentos, carregados de horários e compromissos importantes e manchados de pressa e estresse.
Além das margens as quais costumamos enxergar, por cima dos túneis infindáveis das preocupações rotineiras. 
Um mundo no qual, não é necessário nenhuma droga para entrar, pois ele está dentro de nós.
Esse mesmo mundo que Huxley e tantos outros já chegaram a sentir, não se encontra debaixo dos olhos fechados, mas naquilo que nossa visão humana é capaz de ver.
Onde a passagem para ele está na extraordinária mudança da percepção dos fatos objetivos.
A começar por flores, mesas, cadeiras, escrivaninhas e depois livros, imagens e calças de flanela, Huxley perde seu olhar antigo e incorpora outro, onde todas as coisas são belas.
A disposição em que os objetos se encontram deixa de importar e o tempo no qual você não está mais imerso se esvai. 
Apagando noções temporais e espaciais seus sentidos intensos te cobrem como uma nuvem mágica. E você passa a ver em cada fragmento da vida, o universo. Como se cada parte fosse completa por si mesma estando inserida no mundo dela. Nas flores e em sua cores, você não só sente o pulsar da vida, mas como também sente a si. Porque você está dentro de cada coisa e elas também estão dentro de você.
"[...] Um perpétuo perecer que era, ao mesmo tempo, puro Existir"
Nessas ocasiões, sua mente é preenchida pela essência e pelo significado das coisas, e sua atenção é voltada apenas para a importância da profundidade em que as coisas se encontram e que têm em si mesmas.
Enquanto ocorre uma despersonalização, como se você deixasse para trás uma parte do ser que era e passasse a focar numa única parte de si, transcendente. 
Essa parte que você deixa para trás, é sua parte funcional, ativa, aquela que realiza e quer realizar ações cotidianas e tarefas inadiáveis durante a semana. Estando apenas com a sua parte contemplativa.
Assim, Huxley entra numa questão: como podemos conciliar o êxtase com a vida? Ou melhor, como podemos viver ao mesmo tempo, a vida contemplativa e a  vida ativa? 
Não podemos. Não inteiramente cada uma delas, mas parte delas.
















sexta-feira, 23 de outubro de 2015

À três anos atrás... quando eu fui embora.

E eu me pego aqui querendo escrever sobre isso, mas tendo que escrever sobre outra coisa.

Esperando que não deixe sair de mim o que mais tenho aqui: essas palavras
que moram em mim...
Meu último desespero é agarrá-las nos braços
deixando meu abraço não deixá-las ir
São elas que me tem.

Mas preciso contar a história direito:
foi uma música que despertou esse sentimento
agudo
confuso
esperneado
e deixou crescer em nós meu pensamento.

Meus pés estão postos na areia que enfrenta o vai e vem das águas familiares e esquisitas.
Fico aqui no balanço entre enfiar meus dedos nessa areia, me mantendo de pé
ou se corro para mergulhar em algo que não é meu, nesse mar de águas tão desesperadamente desconhecidas e assim, tentar escurecê-las com meu nome desmanchado em tinta.

Na dúvida
entre olhar para as portas de uma página em branco
ou cerrar meus olhos para encarar a escuridão que reside  em mim.
Na hesitação
de qual escolha tomar dentre
o medo de enfrentar a estrada deserta novamente
ou sustentar o peso de quem sou

Dói. Dói demais estar em mundo no qual não me respeita e depois que ainda me ensina a não me amar.

Fico aqui pensando nessas facadas no estômago
e tentando não pensar que o melhor é abrir mão.
Tentando não pensar que o melhor é me deixar ir, 
pelo simples fato de não me aguentar mais...

Me representa na dor, a arte que minhas palavras não conseguem ser.
O feto de arte que deixei morrer estacionado em mim.
A muito tempo atrás, a três anos atrás.
e que ainda mantêm a dor pulsante numa reta crescer vazia

Não dá pra se apagar o passado,
não dá pra apagar o momento exato
em que decidi me deixar partir há três anos atrás.

Só da pra viver com essa escolha.
E não me matar mais.






sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Às vezes você entende porque seus sentimentos precisam voar.

No fim do dia, a vontade de dançar sempre ardia.
A sensação inexplicável ao fim dos dias, a qual me devorava por dentro, era a de que meu dia, não poderia terminar daquele jeito. Não cabia a ideia de simplesmente ir pra casa e me despedir do mundo. Não. Era preciso fazer mais alguma coisa.
Uma energia sacudia em meu peito como uma emergência. Eu a escutava quando apenas a minha companhia não fazia sentido para mim. Eu precisa expandir aqueles sentimentos, mas não a qualquer pessoa, gostaria de contá-los por meio dos meus gestos, dos meus pulos, e dos meus olhares, como eu amava o mundo! Como de vez quando essa sensação me atravessa e não bastava guardá-la sozinha. E a ideia de uma boa música por trás disso tudo, seria ao mesmo tempo como uma facilidade e afirmação.
Quando me esgotasse e mais nada meu corpo tivesse a dizer, iria embora. Dessa vez, para casa.
Mas isso nunca acontecia, procurava, procurava, sem me cansar, um alguém com quem fizesse sentido esse balançar.
Ninguém aparecia, os poucos que esbarrei, não estavam no mesmo barco que o meu. Era preciso sintonia, alegria. Eu queria um corpo com saudade da liberdade, queria compartilhar um olhar de amizade.
Mas eu não tinha ninguém, disposto, comigo, e até por perto.
Por várias noites, eu tentei:
Saí com pessoas novas e antigas, recém-conhecidas e amigas, mas nada adiantou, pois tudo o que sentia era o roçar das máscaras em mim, eram corpos que não dançavam a dança que sentiam.
Com o tempo, pude perceber, que as pessoas dificilmente mostravam o que sentiam, e o que transpareciam, na verdade, era o que elas gostariam de estar sentindo,
mas não conseguiam.
Ajudava no disfarce também, além da vontade, a diversidade das drogas que usavam.
Percebia isso ao mesmo tempo em que sentia estar no lugar errado.
Elas faziam isso com naturalidade, como se fizessem todos os dias, fora dos bares e dos shows. A diferença era que a coisa gritava ali.
Uma vontade dentro de mim, tentava não achar tais lugares muito banais, surreais. Enquanto uma sensação horrorosa de deslocamento berrava para mim.
Voltava para casa, sem palavras, sem procurar mais nada. Apenas sentindo, de leve, a mão do vazio acariciando meu rosto. Doía.
A mesma mão, eu sentia balançando a minha respiração abatida de quem estava começando a se acostumar com essa procura demasiada e vã.
Eu queria me expandir também, mas não podia.
Houve um dia, em que quis contar mais, sem precisar da dança ou do corpo, o simples falar ajudaria.
Mas também não havia ninguém.
E a vontade só crescia.
Me sentia completamente sozinha.