Bom, entre meus dias, nada mais me surpreendia; estava fechada em mim mesma de tal forma que o mundo não andava por aqui, minha rotina parecia ter parado em único dia e desde então esse dia se repetia, se repetia...nada de novo eu me deixava acontecer. E a maioria dos âmbitos da minha vida permaneciam como frutas estragadas que em um dia eu já conseguira saborear; família, amigos, namorado...eram sempre os mesmos fatos, as mesmas coisas, o mesmo mundo que eu não deixava entrar. Mas a podridão e o desgosto desses âmbitos, dessas frutas, não estavam propriamente nelas, mas na forma que eu as enxergava, que meus olhos enxergavam o mundo.
Vivendo dessa maneira, houve um dia em que me decidi ir embora (por apenas uns dias), e comecei a procurar na internet algum lugar para onde pudesse viajar, no fundo, nem eu mesma acreditava que acharia, mas só o ato de ir em busca, procurar, já me aliviaria. Abri o computador e logo depois de entrar no Facebook, encontrei a propagando do Acamps compartilhada por uma amiga antiga minha, dos tempos do fundamental. Fui logo conversando com ela no chat e perguntando se poderia ir mesmo sendo ateia pois na minha cabeça só haveria diversão, brincadeiras, etc. Ao que ela logo me respondeu dizendo que não haveria problema algum pois outros ateus também iriam. Só faltavam dois dias pro acampamento, se não um e eu já estava arrumando minha mala... Hoje eu vejo que talvez não fora coincidência ter a quantia de dinheiro exata que precisava pagar guardada nas minhas economias. Eu já estava decidida a ir, finalmente passar uns dias longe...
Engraçado que foi justamente nesse ato de fugir de tudo e de mim mesma que eu me encontrei, entrando em contato com um eu que pra mim não existia mais pois eu já havia esquecido. Fui perceber, muito tempo depois, que Deus já cuidava de mim ali, com toda a sua primazia, pois bem grande foram as preocupações da minha mãe, ao saber que iria para esse acampamento, sem conhecer praticamente ninguém, mas grande era o ímpeto que Deus colocava em meu coração, antes mesmo de entrar no ônibus lembro que ela me perguntou pela enésima vez se eu queria mesmo fazer aquilo, e eu estava determinada... Porém, quando embarcamos no ônibus e me percebi ali, sentada sem ter ninguém com quem conversar, me veio a primeira onda de pensamento fria: será que eu devia está fazendo mesmo aquilo? Será que não era melhor ter ficado em casa? Afinal... o que eu estava fazendo? Então ainda perdida nesses pensamentos, vi se aproximar uma menina, que tinha mais ou menos a minha idade, ela mal me apresentou seu nome e já estávamos conversando, e fomos conversando até chegar no local, descobrindo o tanto que tínhamos de comum. Dani. Vi aí a primeira pessoa que o Senhor me quis colocar, na tentativa de não me fazer desistir, de não me deixar ir embora. E tudo ocorreu muito bem, até o dia seguinte.
Tamanha era minha estranheza diante daquelas atividades! Diante daquela alegria, todo mundo pulando,sorrindo, dançando, que coisa mais esquisita, eu pensava... Tivemos várias atividades de manhã as quais eu não saberia denominar, eu desconhecia essas coisas, essa alegria de agir, de louvar. Eu não entendia...Pra quê? Que Deus não existia... Logo comecei a me sentir como um peixe fora d'água e minha primeira vontade foi querer ir embora. Tudo era muito absurdo e diferente de mim. Peguei logo o telefone e liguei para minha mãe, avisando que se ela pudesse me pegar naquela hora mesmo eu iria, até que conversando com ela, percebi não saber o endereço do local e fui perguntar a primeira pessoa que vi a minha frente: o Kleber, que estava animando o evento. Ele me disse que para ir embora precisaria avisar antes a coordenadora dos meus dormitórios,a Manu. E lá foi eu, com minha mãe esperando na ligação...
Agora percebo como todas as obras do Senhor são grandiosas, como Ele se faz presente em todos os detalhes, em cada pessoa que me colocava perto... Como sussurravas Teu nome pra mim e eu, plenamente surda, não Te ouvia!
Manu logo me perguntou porque tamanho era meu desejo de ir embora, e fomos conversando...Até que nem reparei ter desligado o telefone e ela me propôs um desafio: ficar ali mais um dia, que qualquer coisa que me incomodasse eu poderia falar com ela, que me deixaria mais livre...E se ainda quisesse ir no outro dia, eu iria. Eu aceitei, e até nisso Meu Amado acertou... Pois sabia que minha alma não seria capaz de recusar um único desafio.
Vocês já devem imaginar o que me aconteceu no outro dia...tive minha primeira experiência com Deus depois de muitos anos longe da Igreja Católica. Através de Manu, Deus se apresentou a mim, em minha plena pequenez e fragilidade humana, retomou o laço que tínhamos quando eu ainda era uma criança e ia pra Igreja... Ele me conhecia! E eu também O conhecia, mas já havia esquecido de sua infinita presença e existência tão dócil! Pelo meu grande e tolo ateísmo. Através dela, Deus não só se fez presente mas teve a caridade de me explicar meus principais motivos ateístas, os quais eu mesma desconhecia. Ele me explicou a minha própria história e naquele instante já me fez ser mais livre...Porém meu medo de algo sobrenatural assim era tão grande e o baque na minha inquebrantável base ateísta foi tão grande... que eu logo duvidei, só que não era capaz de explicar o que tinha me ocorrido...E eu continuei lá, durante os últimos dias, participando meio bamba das atividades e sem conseguir acreditar com o que acabara de me acontecer...Mas não foi só isso, houve mais.
"Eu quero sair das minhas prisões", já dizia o Padre Tarso numa das missas em que eu me recusava a ir; acho que não por coincidência, essa foi a única frase que me penetrou os ouvidos distantes, sentados e aborrecidos nas últimas cadeiras das celebrações eucarísticas. Só essa frase podia resumir tudo que minha alma de mais alto clamava ao mundo que me destruía. Eu queria sair das minhas prisões, já não aguentava mais andar com meus próprios pés sobre as calçadas da minha própria dor e ser incapaz de amar, inclusive a mim mesma. Já não aguentava mais. Queria ser livre, ardentemente livre.
Me senti penetrada não só nesse momento em que o padre dizia essa frase, (parecia que pra mim), mas em tantos outros, Meu Deus! Em que me fizestes sentir que era ali que estava, tudo que eu mais procurava. A efemeridade estava acabada, eu presenciava que aquelas pessoas, assim como eu, buscavam algo a mais,buscavam o eterno, não só se satisfaziam em se findarem na superficialidade das relações, nem acabavam em si mesmas, elas se estendiam e terminavam no outro, no seu ser com o outro, e quando percebi isso, meus olhos já estavam cheios de lágrimas...
Como tão tarde eu te amei! Parafraseando meu amigo Santo Agostinho. Tu que se fazia presente e me sussurravas Teu nome na minha mais infinita imperfeição. Me deixas constrangida por agora saber o quão perto estavas de mim enquanto eu Te negava! Enquanto eu gritava para o mundo e para as profundezas do meu coração a falsa certeza da tua completa inexistência... não percebia que me olhavas, que já me amavas, Senhor.
Lembro de querer ficar quietinha durante o Acamps, para que ninguém descobrisse a minha falta de religião, pois sabia, sabia que iam querer me "evangelizar",( mal sabia eu que todos os passos ali já me evangelizavam...)Mas Deus não precisa de recursos, Ele se faz sozinho. E até mesmo as pessoas que souberam de mim, tiveram a capacidade de me cuidar e de me amar, como eu nunca nunca havia sido antes. Era o Teu Amor Senhor! Que eu já sentia sem saber denominar! O que me impactou bastante pois tinha a certeza de que pessoas religiosas eram intolerantes e que sofreria bastante aversão por me dizer ateia. O que nada aconteceu, só pelo contrário...
Como tantas coisas no mundo me prometeram e nunca cumpriram, Deus foi a única pessoa que me fez livre, destruiu todas as minhas máscaras da forma mais bela e singela possível, e me deu o autoconhecimento para saber quem sou: sua filha.
E meus dias foram se passando, enquanto eu ia frequentando e descobrindo mais o que era a comunidade católica Shalom.
Hoje, fico imaginando...Como foi que eu encontrei esse lugar? Como a minha história de salvação é bela! Não porque eu a construí, mas porque deixei que Deus a construísse em mim. Encontrei, aqui no Shalom, um povo que busca amar a Deus na espiritualidade da vida humana. Como pode Senhor, teres feito um carismas tão belo? Parece que foi feito pra mim! Para abarcar consigo a minha imperfeita humanidade. Aqui, não me sinto unida só pelos valores parecidos, mas por cada um, buscar profundamente a sua essência mais íntima, o seu ser com Deus. Sinto que juntos, temos muito a crescer. Obrigada, Senhor! Por haveres escolhido minha pequenez.
Demorei tanto tempo para descobrir o nome da minha vocação; a vida inteira me percorreu esse desejo sem nome de me doar, de dar a minha vida para salvar da morte os outros, meus irmãos. Minha essência sem Tu a andar no mundo virou despercebida de significado, de valor. Como eu era tonta sem Tu! Como o mundo e eu mesma feri minha própria vocação ao estar longe de Ti! Como demorei pra descobrir esse novo nome, mas que acredito sem ter sido meu: Shalom.
Não que a vida de todo fosse deplorável, havia as estrelas . E muito mais do que aquilo que transformava suas sólidas estruturas em pó no momento. Mas não pode evitar o pensamento de que todo esse sofrimento iria cessar, também, quando a vida cansasse de trazer o ar para seus pequeninos e insignificantes pulmões, quando emaranhadas numa corrente contínua, a luz e a escuridão morressem dentro dela...
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
terça-feira, 16 de agosto de 2016
"Um livro é um espelho e só podemos encontrar neles o que já carregamos dentro de nós"
Começar a doar meus livros está sendo uma grande obra de Deus na minha vida. Não os dei para ninguém ainda, mas só de estar separando-os para longe de mim e da minha estante, já me causa uma dor, um certo aperto. Os livros sempre foram os meus melhores amigos, a minha segunda voz, pois vivenciamos juntos nossas histórias. Também foram: ouvidos para minhas lamentações, forças para as minhas desistências e grandes depósitos de lágrimas escondidas. Tanto é o meu apego que ao me despojar deles, sinto como se estivessem arrancando pedaços de mim. Mas agora, sinto que preciso deixar que Deus ocupe esse lugar sobre mim.
Bem sei que eles foram presentes de Deus para mim, pois quando eu ainda não O tinha por amigo (não por Sua vontade mas por minha escolhida cegueira) me deu todos esses personagens como família e consolo, como um barco cheio de presentes em que eu pudesse abarcar e me guiar pelo mundo. Ele sabe, como sabe! que eu não aguentaria sem eles.
Cada livro constitui uma história, não somente aqui ali contém, mas a de quem escreveu e a de quem leu, cada livro representa um olhar sobre a vida, significa um recomeço, uma amostra de identidade, guardam grandes sonhos,anseios,medos e compõem-se de muita imaginação. Que o senhor me guarde nessas faltas, porque eu bem sei que fazer isso é para o meu próprio bem, por mais que minhas vontades teimem em me dizer o contrário.
Sei que poucos são os que compreendem meu despojamento, mas não é preciso. Somente com a graça de Deus e seu convívio.
Porque eu tenho que me sentir inteira sem nenhum deles presente fisicamente, mas dentro de mim. Mas antes de tudo, eu preciso me sentir completa somente ao Teu lado, aplicando na memória e na vida que só Deus basta como minha amiguinha Santa Teresa me ensinou. Para enfim no depois, entender que também O posso ver e sentir nas coisas materiais e naturais, porém sem muito apego. Que o nosso canal de comunicação primeiro sejam as missas, as orações, as noites de vigília, depois os livros. Mas claro, não todos.
No fim, entender que o Senhor está em todas as coisas, sabendo que por onde meus pés passam, elas sussurram o Teu nome.
Bem sei que eles foram presentes de Deus para mim, pois quando eu ainda não O tinha por amigo (não por Sua vontade mas por minha escolhida cegueira) me deu todos esses personagens como família e consolo, como um barco cheio de presentes em que eu pudesse abarcar e me guiar pelo mundo. Ele sabe, como sabe! que eu não aguentaria sem eles.
Cada livro constitui uma história, não somente aqui ali contém, mas a de quem escreveu e a de quem leu, cada livro representa um olhar sobre a vida, significa um recomeço, uma amostra de identidade, guardam grandes sonhos,anseios,medos e compõem-se de muita imaginação. Que o senhor me guarde nessas faltas, porque eu bem sei que fazer isso é para o meu próprio bem, por mais que minhas vontades teimem em me dizer o contrário.
Sei que poucos são os que compreendem meu despojamento, mas não é preciso. Somente com a graça de Deus e seu convívio.
Porque eu tenho que me sentir inteira sem nenhum deles presente fisicamente, mas dentro de mim. Mas antes de tudo, eu preciso me sentir completa somente ao Teu lado, aplicando na memória e na vida que só Deus basta como minha amiguinha Santa Teresa me ensinou. Para enfim no depois, entender que também O posso ver e sentir nas coisas materiais e naturais, porém sem muito apego. Que o nosso canal de comunicação primeiro sejam as missas, as orações, as noites de vigília, depois os livros. Mas claro, não todos.
No fim, entender que o Senhor está em todas as coisas, sabendo que por onde meus pés passam, elas sussurram o Teu nome.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Caminho de conversa
Nesse Halleluya Deus me mostrou o caminho que nós percorremos até aqui. Hoje já fazem pouco mais de seis meses que Te reencontrei, meu amado. Hoje eu vejo porque aquelas músicas mexiam tanto comigo no Acamps, Tu fizestes meus ouvidos dispersos ouvirem as mesmas primeiras músicas novamente nesse festival, não de qualquer forma, não em qualquer momento. E tais versos, eram o recomeço de nossa história.
"Sim, é teu meu coração", "Sim é essa minha decisão", "Seja Senhor, meu único Amor, meu tudo"
Através dessa canção você já sussurrava em mim o segredo, o segredo mais profundo para minha alma se curar: debruçar-se sobre Ti. Hoje eu vejo o quanto me chamastes, o quanto me amastes e tanto me constrange não só ter escolhido minha amarga escuridão por quatro longos anos mas também ter te negado friamente quando Tu mais se apresentava a mim, no acampamento desse ano. Ter olhado para o meu falso firmamento de gelo, para as minhas certezas ateístas justamente na hora em que Tu me declarava o Teu nome. Que vergonha, Senhor! Que vergonha... Ter te negado quando aparecesse esse ano, fazendo questão de dizer: eu estou vivo, minha filha.
E desde então, só Tu sabes o quanto eu sentia falta, falta do Teu imenso auxílio, do teus conselhos, do Teu imenso amor, da força que me emprestavas e da sabedoria que as vezes me concedia, ainda quando era criança, mas principalmente falta de dividir a cruz contigo. Minhas dores não, suas dores também, nossa, nossa cruz Amado, porque hoje e sempre sofrerei pelas tuas chagas.
Não cabe a mim entender porque me escolhestes aparecer, mas minha gratidão transborda em sorrisos, lágrimas e serviço. Agradeço-te ternamente por me concederes o olhar que vê em todos os momentos da minha longuíssima e breve história, a Tua mão, o Teu jeito, os Teus dons para me proteger, me curar, me amar, me santificar.
E afasta de mim, Pai, qualquer glória que minha humanidade queira assinar, pois sei bem como tudo é Teu. Essa parte da música explica minha história e acredito que a de teus outros servos também, mas por muito tempo eu a escutei sem entender que realmente a entendia, só podia sentir que tais letras mexiam comigo de uma forma que eu mal podia suportar estar longe de Ti. "Diante de tantos amores, só o teu me invadiu, me atraiu (...)" Diante de tantos olhares, só o teu me fitou roubou meu coração (...)" Para sempre, para sempre.
Deus, como eu não pude ver? E por quanto tempo mais eu ia escolher o abismo entre não estar contigo e não se sentir dentro das coisas do mundo?
Onde eu não te via, nada me agradava. Vivi inteiramente com essa sensação de ter algo errado com as coisas do mundo, mas nunca assimilava isso com a falta da Tua presença.
Hoje, eu quero estar presa a Ti porque a mim eu não confio mais. Eu sei que não posso me confiar, eu me traio a cada instante sem Ti. Me petrifica ao Teu lado. Me deixa ajudar, desejo abraçar teu rosto com as palmas de minhas mãos e te dar todo amor que não possuo sem Ti, quero estancar essa dor que tu tanto me alerta que aperta teu coração. Quero cuidar de Ti, como tu cuidou de mim, mesmo que isso não seja possível. Quero ser tua, somente tua.
É impressionante como tu sabes onde está a minha felicidade, a felicidade que sempre procurei e nunca encontrei completa sem Ti, é incrível como só me achei depois de ter te encontrado. Me comove ainda mais a leveza com que as vezes me dá a mais pura e completa felicidade em segundos que eu, sozinha, por anos não consegui me entregar, nem conseguiria encontrar. A escravidão estampada ou oculta só tem sentido com Deus.
26/07
"Sim, é teu meu coração", "Sim é essa minha decisão", "Seja Senhor, meu único Amor, meu tudo"
Através dessa canção você já sussurrava em mim o segredo, o segredo mais profundo para minha alma se curar: debruçar-se sobre Ti. Hoje eu vejo o quanto me chamastes, o quanto me amastes e tanto me constrange não só ter escolhido minha amarga escuridão por quatro longos anos mas também ter te negado friamente quando Tu mais se apresentava a mim, no acampamento desse ano. Ter olhado para o meu falso firmamento de gelo, para as minhas certezas ateístas justamente na hora em que Tu me declarava o Teu nome. Que vergonha, Senhor! Que vergonha... Ter te negado quando aparecesse esse ano, fazendo questão de dizer: eu estou vivo, minha filha.
E desde então, só Tu sabes o quanto eu sentia falta, falta do Teu imenso auxílio, do teus conselhos, do Teu imenso amor, da força que me emprestavas e da sabedoria que as vezes me concedia, ainda quando era criança, mas principalmente falta de dividir a cruz contigo. Minhas dores não, suas dores também, nossa, nossa cruz Amado, porque hoje e sempre sofrerei pelas tuas chagas.
Não cabe a mim entender porque me escolhestes aparecer, mas minha gratidão transborda em sorrisos, lágrimas e serviço. Agradeço-te ternamente por me concederes o olhar que vê em todos os momentos da minha longuíssima e breve história, a Tua mão, o Teu jeito, os Teus dons para me proteger, me curar, me amar, me santificar.
E afasta de mim, Pai, qualquer glória que minha humanidade queira assinar, pois sei bem como tudo é Teu. Essa parte da música explica minha história e acredito que a de teus outros servos também, mas por muito tempo eu a escutei sem entender que realmente a entendia, só podia sentir que tais letras mexiam comigo de uma forma que eu mal podia suportar estar longe de Ti. "Diante de tantos amores, só o teu me invadiu, me atraiu (...)" Diante de tantos olhares, só o teu me fitou roubou meu coração (...)" Para sempre, para sempre.
Deus, como eu não pude ver? E por quanto tempo mais eu ia escolher o abismo entre não estar contigo e não se sentir dentro das coisas do mundo?
Onde eu não te via, nada me agradava. Vivi inteiramente com essa sensação de ter algo errado com as coisas do mundo, mas nunca assimilava isso com a falta da Tua presença.
Hoje, eu quero estar presa a Ti porque a mim eu não confio mais. Eu sei que não posso me confiar, eu me traio a cada instante sem Ti. Me petrifica ao Teu lado. Me deixa ajudar, desejo abraçar teu rosto com as palmas de minhas mãos e te dar todo amor que não possuo sem Ti, quero estancar essa dor que tu tanto me alerta que aperta teu coração. Quero cuidar de Ti, como tu cuidou de mim, mesmo que isso não seja possível. Quero ser tua, somente tua.
É impressionante como tu sabes onde está a minha felicidade, a felicidade que sempre procurei e nunca encontrei completa sem Ti, é incrível como só me achei depois de ter te encontrado. Me comove ainda mais a leveza com que as vezes me dá a mais pura e completa felicidade em segundos que eu, sozinha, por anos não consegui me entregar, nem conseguiria encontrar. A escravidão estampada ou oculta só tem sentido com Deus.
26/07
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Hoje e para sempre.
É a nossa união que me deixa mais feliz agora. Hoje, nos dividimos como a quatro longo anos não fazíamos. Hoje, assumi esse belo compromisso contigo: o de me cuidar, o de te cuidar, o de nos amar. Porque hoje, viramos essencialmente um. E eu não quero te machucar, Senhor. Não quero mais cometer os mesmos erros autodestrutivos perto de Ti. Não quero não me gostar mais, pois eu sei como isso fere a Ti. E me dói muito te machucar agora em que entendo Teu único sofrimento por nós, Teus filhos.
Antes de arrumar a casa, percebi que devo arrumar a mim mesma e antes de arrumar o meu corpo, é minha alma que precisa estar limpa, porque a mudança começa de dentro pra fora. É percorrendo esse caminho que tudo dentro de você se externiza, transborda, pois não cabe mais tanto amor dentro de si. É nesse momento de comunhão que seu eu mais profundo vira reflexo para todas as coisas: reflete em seus gestos, dentro do seu guarda-roupa, e por fim na sua própria casa. Agora, é fácil notar que todas as flores são presentes de Deus, até mesmo aquelas que brotam dentro de você.
Confesso que foi um caminho muito árduo te deixar entrar mas agora que aceitei te ver aqui dentro de mim, a partir do momento em que tudo em mim sussurra que eu não posso mais negar, me rendi, me lancei em Teu mar, permitindo a correnteza de Tuas mãos me guiar, tudo fica infinitamente do jeito que era pra ser, tudo fica bom, até o peso.
O Senhor vai fazendo obras de arte em minha vida, vai pintando o meu corpo, pincelando meu rosto, preenchendo minha velha alma de forma tão singela que não me dou conta do quanto mudei de uns meses pra cá.
Enfim, quando concedemos por inteiro o nosso livre-arbítrio a Ele, a liberdade chega fácil, quando devolvemos nossa vida a Ele, a felicidade é de graça. Tudo fica tão perfeitamente bom e leve, até o mais pesar dos pesos. Mas hoje eu vim para falar mais desse laço, desse abraço cheio de cuidado que representa a comunhão. Nos dividimos, eu em Ti, Tu em mim, e eu não me lembro de ter sido tão feliz. Para sempre, nos unimos hoje. Depois de tantos anos vivendo com a cegueira que eu mesma escolhi. Hoje, como me disse uma vez Santo Agostinho, eu quero que o meu coração repouse sobre o teu, Pai. Hoje, eu desejo que nossos sangues se misturem, que nossos corpos se habitem e que em mim reviva a tua luz. Hoje e para sempre. Eu só tenho a Ti agradecer por ter me dado todas essas coisas e mais aquelas que não citei, através do lindo mistério da eucaristia, todos os dias. Obrigada.
E como bem falastes, a Tua paz, não recebo como o mundo me dá, ela é só Tua, é como o imenso carinho e amor que tens por mim e por todos os teus filhos, que me trazes essa paz única que vibra dentro do meu corpo e se expande pela minha alma, reverberando em meu mundo todo.
Até esse momento da minha vida, eu recusara a ideia de casamento, sempre negando fielmente essa possibilidade, mas neste dia, caminhando com a força que Tu desses aos meus pés para se levantar e com a coragem que pusesses em meu espírito para me entregar, eu senti meu coração todo revestido de branco, Senhor. Pronto para Te receber com esse imenso amor que não cabe mais dentro de mim, que desde o momento em que verdadeiramente Te conheci, perdeu todas as margens, e sem limites, agora derrama para todos os lados.
domingo, 15 de maio de 2016
Certa pausa da missa
~ 24, març.
Por cima de toda a dor a beleza sagrada paira, por cima de todo desdém entregue ao mundo de meus olhos, eu enxergo pontinhos que reluzem luz. A vida é um êxtase sem fim.
Não sei, dessa vez, os motivos pelos quais escrevo. Não sei se é porque transbordo ou se é para ter a garantia nesse papel de que um dia, fui feliz assim.Quero ser grata pelo que tenho agora, pelo que tenho em minhas pequenas mãos, pelo que posso manter em mim, por essas dádivas que fez-se brotar em meu pequenino e iniciante ano novo. Não quero reclamar pelo que não recebo, pelo “mais” que ainda não tenho, pelo que não me trazem.
Os dias tem sido belos, e acho que essa é minha frase preferida dessa semana. Pois resume o que há de mais forte em mim.
Hoje eu vejo a beleza nas mínimas coisas, nos pequenos momentos, naqueles até breve sorrisos, em certa sílaba cantarolada e saltitante pela missa, no ouvir uma história cheia de sentimentos e tentativas e belezas e sofrimentos humanos, eu vejo beleza no posicionar-se dos corpos familiares, nos breves momentos de silêncio. No hoje, eu tento ao máximo me dividir com o mundo, nós nos habitamos, e assim, há vida, há vida, há vida...
Há vida nos uniformes esvoaçados dos meninos que jogam futebol de lama, há vida na calçada repleta e vazia, há vida nas músicas que não tocam meu coração, apenas há, há vida nos murmúrios das árvores, nas luzes amarelas que perpassam meu caderno no meio da noite, há vida na sombra totalmente disforme de minha mão sobre essas linhas que escrevo, tão esquisitas agora a mim, simplesmente há. Há vida.
E hoje, aprecio o gostar de todas as cores, porque somente assim saberei estar viva. E não paro, porque tudo é bonito: os contrastes do mundo são bonitos, as veiazinhas roxas que habitam de forma aleatória minhas coxas são bonitas.
Ah! Eu gosto do mundo hoje... Mas ainda não consigo sentir Deus em quase nenhum canto dessa missa, me lembra apenas, o Seu sentir nas notas secundárias e tão discretas de uma música tocada aqui. Deve ser porque não entendo os ritos de cada momento, o que se acontece, o que há por detrás.
Neste momento, me permito sentir tudo de bom e quase ruim que essa religião me trás.
quarta-feira, 11 de maio de 2016
"Aspas"
Deixa cair as
palavras do teu coração
sobre a minha voz.Atende ao chamado que finges não ouvir
Entende a luz que projeto sobre ti
Oferece todo o mínimo que possui
meu corpo será alimento de tua alma
teu sangue será puro
ajudando a colorir o mundo
Meu cheiro vibrará em ti,
exalará nos arredores de ti
assim como cada dor será sustentada com um aperto de mão eterno
Dorme aqui, em meu peito
descansa tua alma sobre a minha
jorra toda a dor como cachoeiras a iluminar pedras de areia
permito o fechar dos teus olhos agora
entregues inteiramente a mim
desabrocha em minhas águas claras
me deixa guiar, ser correnteza.
sexta-feira, 18 de março de 2016
Ao deus que não me tem.
Se em minhas palavras eu não consigo depositar a confiança que tenho em ti
Pelo menos em meus olhos está guardado o anseio do nosso amor
Se da minha boca não saem em retilíneo aquelas palavras que tanto queria te entregar
de meus gestos reclusos e as vezes frenéticos
é exposta a minha verdade.
Se de minhas tantas mas escassas vozes
nada te saí
expando-me a mim mesma em teu louvor
Mas senhor, em minha concha eu me resguardo tantas vezes
sem nem saber do mínimo necessário para fugir
Mas até nessas horas eu estou amando
estou amando e sentindo todo o amor
que escorre pelos meus olhos
que nasce dentro de mim sem a permissão concedida
que nasce dentro de mim sem a permissão concedida
que percorre as minhas feridas veias sem cor
Está sempre reverberando em mim, como uma tal onda do mar, a tua ausência.
enquanto estou amando e sentindo com ternura todas as nossas dores
permaneço amando enquanto explode
em mil saltos dentro de mim
essas sensações tão fortemente desconhecidas ou quem sabe, não lembradas
Não me edifico porque me mordem os medos
escuros
E na escuridão meu eu já permanece acostumado
A instabilidade vem sendo minha morada
Aos caos, minha mente já suporta.
Aos meus pulsos não cortados por teimosia, eu resisto.
A dor é familiar.
No entanto, o edificar-se me assusta.
E a estabilidade do teu amor me amedronta
E nesse gesto, eu só consigo lembrar de modo tardio
a coragem
que um dia
já fora minha.
Perdoe-me, senhor
que não escrevo em maiúsculo por ainda não saber se existe
mas ainda é escrito por ser sentido
Perdoe-me por não estar aqui o suficiente e muito mais.
Perdoe-me por não estar aqui o suficiente e muito mais.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Eu sinto falta da tua escova de dente azul.
Há a falta da tua presença a caminhar junto ao meu lado
Há a falta das conversas que eu sei, não poderemos ter mais.
Há a falta em mim, do teu cheiro velhinho.
Há a falta da tua pele morninha.
Mesmo que nossa história não tenha sido aquela, Vó.
Mesmo que a minha infância (e até depois dela) não tenha sido dada "uma casa de vó" para ir aos domingos.
Mesmo que não tenha experimentado as suas comidas porque você não cozinhava.
Mesmo não tendo experimentado o seu colo ou a sua poltrona favorita.
Essas frases não se encaixam na nossa pequenina história.
Eu ainda lembro de ti quando vou passar perfume.
Eu ainda lembro de ti, atleta, nobre, caminhando, adorando cocada
Assim como retenho tua presença na lembrança do meu primeiro baú de presentes que abri ali mesmo no aeroporto.
O perfume que eu não usava nunca e agora utilizo todos os dias, é por você. Esse perfume que sempre será borrifado em meus punhos e no ponto médio de meus braços. Porque pra gente ficar cheirosa de verdade, a gente sempre espalha ele assim.
E vó, será que aquela seringa preta e branca que eu encontrei na porta da geladeira e você me explicou sobre, me contando a sua história, sabia que um dia eu me tornaria diabética?
Não posso ignorar a sensação de ter visto uma agulha na minha geladeira no dia em que você chegou de viagem, e isso nunca mais ter me fugido da memória. Como ficou forte em mim essa imagem de quando eu, na ponta dos pés, me ergui por ainda ser menor que a porta da geladeira, para observar minuciosamente aquela seringa. De imediato, eu senti que era sua, pois assim como ela, você também era nova na minha casa.
Será que deus já sabia? Será que foi por isso que você me contou nesse mesmo momento de que me recordo agora a sua história e os seus métodos independentes? Você sabia que eu ia precisar fazer isso sozinha,vó? Você sabia que eu ia precisar injetar uma agulha em mim, pela primeira vez, sozinha? Foi por isso que me ensinou a fiel verdade de que é melhor aprendermos logo a tomar conta de nós mesmos sozinhos?
No ano passado, eu senti seu cheiro,vó. No braço esquerdo do meu professor de história. Eu não me esqueci dele não. Nesse ano você ainda era viva, mas eu só pude descobrir nessa hora, pela surpresa e atordoamento que me invadiu, que a sua falta já era sentida em mim.
Eu ainda procuro você no cabelos grisalhos que vejo nas ruas.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Assim? Não mais.
- Mas a porta está fechada. (disse Ofélia)
E o fauno respondeu: nesse caso, faça a sua própria porta.
É sobre esse desejo ardente de me jogar no mundo natural, é sobre esse árduo estar num mundo imbecil. Fazem séculos que as pessoas são assassinadas somente porque querem viver abertamente e de modo justo suas vidas. Fazem décadas que o homem criou suas próprias regras sem sentido afim de se utilizar delas para enaltecer seus desejos egoístas. É sempre assim, quem têm o poder, dele faz o mal, dele faz a injustiça. Como o mundo pode estar tão errado? As vezes penso ligeiramente que podem ser meus olhos. Afinal, uma pessoa mais ignorante não sofreria tão alto assim. Mas será que isso é o que eu quero?
Estou num impasse. Sei que viver sem minha imaginação não seria eu, não haveria de como. Mas também sei que não gostaria de fugir para as nuvens da alienação. Afinal, qual o limite para enxergar a realidade nua e crua? E até onde poderia ser correto imaginar um sentido, criando uma razão para o mundo e todas as coisas horrivelmente inexplicáveis que existem nele, sem que me deixe iludir? Há uma linha, eu sei que há. Mas qual o limite?
“Não há magia no mundo, nem para mim, nem para você, nem para ninguém”, berrou uma personagem mãe para sua filha no filme O labirinto do Fauno. Certamente, eu não teria a ousadia para entregar o peso dessas palavras a ninguém, nem o orgulho estupidamente destemido para -mostrando propositalmente- ser protagonista desse fato imprecisamente real. Certamente não, minhas palavras seriam outras, minha filha ouviria ao invés: nunca desista de procurar a magia que há no mundo. Pois é, não quero ser destruição, porque talvez, só talvez, no verdadeiro mundo, existam as duas coisas. (E não faz sentido nenhum desacreditar naquelas que são boas)
Mas uma pessoa me disse que esse mundo é simples, e que na verdade, nós é que o complicamos. Principalmente porque a mesma coisa, pode ser ao mesmo tempo, de extrema facilidade e dificuldade para duas pessoas diferentes. Então, é esta última que complica. Mas o que a fez realmente complicar? penso eu as vezes. E descubro que as vivências não são tão fáceis assim, alguns machucados são prolongados demais, e não porque queremos, é porque foi assim que conseguimos escolher, pensar, agir no passado enquanto as outras opções que tínhamos entravam no diminutivo, ficando quase invisíveis e permanecendo assim, longínquas de nós; o maior problema é que essa forma de pensar, na maioria das vezes inconsciente, nos afetam até o presente.
“As vezes, eu penso em desistir do mundo” eu disse para essa mesma pessoa -e são poucas as que conseguimos finalmente nos sentir a vontade para entregar nossos sentimentos- por isso, digo que em um único momento, estavam materializados o cansaço profundo de alguém (o meu, por trás dessa frase) e, a beleza terna de compartilhar sensações difíceis. O mundo pode ser as duas coisas. Como um caracol de sentimentos enroladamente difíceis e alegres.
Na minhas outras tantas vidas - e vou explicar porque essa em que estou agora é diferente- o mundo me cansava, as pessoas me cansavam. Eu não aguentava mais sentir as palavras morfadas baterem em meu rosto, eu já não suportava feliz o posicionar-se dos corpos abatidos durante uma conversa em que tentavam falivelmente agradar-me com tão pouca naturalidade, como se calculassem precisamente o que poderia ser mostrado ou não a mim. Eles não experimentam ser novos, eles não desejam ultrapassar os limites daquilo que é a pura e mais fria superficialidade. Eles não possuem vida e nem deixam a verdadeira vida os tocar; houve até uma vez em que um homem desconhecido veio e me disse depois das costumeiras apresentações: “você me dá um beijo?” E imediatamente, aquelas palavras soaram tão desgastadas, tão já ditas, tão velhas que eu pude ouvi-las pronunciadas todas as vezes anteriores em que não foram direcionadas a mim. Eu disse não.Também farta e dolorida eu já estava sobre o impedimento dos egos ao nascer de um momento belo, o passar da vida em festas vazias, a sutileza que não existia, e até as tentativas falhas deles de impressionar a mim e a qualquer um, de que não são assim: tão pouco originais.
Aposto que era toda essa dor de me entregar tão bem e, ao contrário do amor esperado, receber palavras odiosas, que me faziam assim, sem cor. Eu não sou deus, não tenho amor de sobra pra dar, meu corpo cansa, minha mente mais ainda. A vida faz as estafas de cercas para nós. E sentindo minhas cores escorreram pela pele, eu desejava ardentemente ficar com a natureza. Afim de capturar todo aquela imensidão verde que hoje ainda me falta. Queria me entregar ao balanço das árvores, ao cheiro dos gramados, ao azul do céu infinito. Como num abismo, eu desejava me jogar no silêncio do universo. E estar.
Apesar de que todos esses sintomas desaparecem quando estou no Shalom. Lá eles não me fazem perder a cor; lá não desejo fugir para outro lugar; lá, eu desejo descobrir as pessoas e até mesmo os mínimos componentes de suas partes. Porque as relações são belas e os olhares são espontaneamente bondosos. Porque os toques são seguramente doces e as palavras não são de modo algum agressivas. Não que tenha conhecido todos os integrantes da comunidade, não que as pessoas sejam perfeitas, mas todas que pude conhecer, todas as que pude encostar levemente minha alma (e deixar também que ela fosse tocada), possuem dentro de si uma humanidade palaciana. Humanidade esta que é quase uma relíquia ameaçada de extinção na sociedade presente. O Shalom em si mesmo é um lugar cheio de luzes e magias propriamente inexplicáveis.
Fev,11-15.
Consciência em fragmentos
Ser pobre é ter consciência da sua pequenez, da sua insuficiência, e as vezes da sua fragilidade. De como você é impotente diante desse grande mundo. É ter consciência da sua escuridão, dos seus demônios e de seus apegos as pequenas mortes da vida. E enfim, poder se desgarrar deles, ou se não, lidar com eles da melhor forma que pode.
Saudade do tempo em que o mundo não pesava sobre mim, saudade do mundo que era leve e que podia carregar em meus olhos. Saudades de quando as sombras não eram estampadas.
Eu gosto daqui, eu gosto dessas pessoas. Fico impressionada com o fato de elas ainda não terem me assustado. Do que adianta ser bom se as pessoas te odeiam por isso? (...)
Talvez o mundo não seja mais assim, não o que eu encontrei.Talvez, apenas talvez, eu não tenha visto algumas luzes que brilhavam nesse mundo, talvez porque a escuridão me cercou por completo, atravessou minhas bordas, excedeu meus limites e minhas pequenas forças como o mar que avança pela areia desconhecida.
Eu não quero mais não me deixar afetar. Para de se agarrar a tristeza, para. Para de andar de mãos dadas com a morte. Para de se abraçar com a solidão. Para. As vezes, a dor é tão forte que nos escondemos de nós mesmos na tentativa de afasta-la. Deixa escorrer esse orgulho de estar errando o tempo inteiro. Aceita, aceita que é incompleta e que as coisas te faltam.
Fev,7. Renascer
Missa
Eu não sei o que se passa na cabeça de cada um. Talvez estejam focados aqui na celebração, talvez não. Mas o que sinto, de longe, mas ao mesmo tempo tão de perto, tão perto quanto eu nunca imaginei, é que algo resplandece aqui dentro. Algo os une que não me une: todos eles têm fé. Eles estão interligados de alguma maneira invisível por ela e e esta mesma se destaca por meio da música, do canto e das artes. Principalmente nas luzinhas que cintilam no altar, elas me mostram vida.
Fev,7.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Sossego, em uma última lágrima.
Briony estava parada em frente a janela do seu quarto. Na maioria das vezes ia para lá afim de encontrar o ar que não havia dentro de casa. Os gritos ardiam como fogo que atravessavam as paredes de seu quarto e de seu fone de ouvido. A janela era seu lugar de momentos difíceis, lá ela podia enxergar que o mundo ia muito mais além. Além daquelas atitudes agressivas de seus pais. Além do silêncio interrompido. Além da dor que a cercava. Entendia olhando pelas bordas da janela que o mundo podia ser muito diferente daquele que lhe proporcionava dor todos os dias. Cada pessoa ali tinha uma história, percorria um caminho que ela desconhecia. Também gostava de olhar para as nuvens e pedir que todo aquele silêncio azul adentrasse seu coração. A paz que habitava o céu era tão escandalosamente morna em comparação com as avenidas desarmoniosas. Ela não sabia, mas procurava inconscientemente um único exemplo de que a vida pudesse ser mais branda. Era só o que ela precisava, um exemplo da mais pura harmonia. Um exemplo de que sua vida não seria assim para sempre. Briony também gostava de conversar com as árvores, mas por pensamento. Entregava-lhes seus sentimentos e elas lhe respondiam através de seus famosos balanços. Se sentia sincronizada com aquelas almas verdes e sabia que elas podiam lhe ouvir. Era só a confirmação das folhas agitando-se e pronto,e já estavam emanando um pouco de paz. No fundo, ela sabia que as pessoas daquela casa não a pertenciam e por isso seu estômago virava um embrulho de dedos gelados toda manhã. Eles não entendiam a magia dos livros, mal ouviam música, nunca souberam conversar, na verdade, pareciam esta apodrecendo… Ficava pensando se alguma vez, quando tinham dez anos, seus pais se sentiram assim… E acalentava a esperança de que sim, pois a possibilidade conclusiva dessa afirmação levaria a acreditar que parte desse sentimento de abandono ainda existiriam neles e somente assim, poderiam compreendê -la.
Jan,22.
Sono, quem diria.
Oh!
Como eu gostaria ter a brandura do ‘fechar-se’ desses olhos.
Como
eu gostaria que em meus olhos não houvessem explícitas as sombras
que sobrecarregam com tanta peculiaridade pelo mundo…
Como
eu gostaria não precisar-lhes impor o fechamento das cortinas no
anoitecer tardio…
Como
eu gostaria que parassem de tentar vencer o cansaço tão
obstinadamente nas madrugadas sórdidas de minha alma.
Jan,29.
Jan,29.
Ausência perene
Eu
não sei o que faz essa tristeza andar lado a lado comigo, apertando
a minha mão tão forte. Eu sinto falta das pessoas. Todo contanto
virtual é pouco. Não me satisfaz. Toda magia, horror e sentimento
lento que a presença real trás, evaporou. Eu não sinto mais a
surpresa de ser tocada pela pele macia; eu não vejo mais a beleza do
contraste, seja o da cor do cabelo escuro com a pele clara, seja a do
vestido amarelo sobre a pele negra… Não vejo mais aquela estrela
que brilha no olhar quando a boca conversa sobre algo que a mente
ama; eu não vejo mais os fios de cabelos desgrenhados,bagunçados
que tanto adoro; eu não escuto mais o som de uma voz que vibra nas
ondas sonoras o (meu) mundo, que reflete o eu, e que se espalha
invisível no silêncio do horizonte.
Olha, faz muito tempo que eu não paro para amar e para observar com delicadeza as infinitudes de alguém, sinto falta de quando os olhos se apertam no contexto certo, sinto falta dos murmúrios evocados durante uma conversa qualquer, sinto falta dos traços, aqueles que desaparecem e reaparecem na face em sintonia com as emoções determinadas de cada um. Enfim, é essa falta que me mata. É esse caminhar simultâneo das expressões com os pensamentos de todo ser humano que desapareceu. Todos parecem meio mortos ou inalcançáveis.
É por isso que me apego aos livros, onde borbulham as almas de escritores vivos, onde leio o coração daqueles que escreveram suas histórias. Desejo ardente de ler Virgínia Woolf, sentindo cada paradoxo de suas frases, sentindo a respiração complexa dos personagens, e vendo, na medida que passam-se as páginas, o surgimento de um mundo lindo que ficava por trás de seu olhar. De um olhar perene e detalhístico sobre a realidade que foi se jogar nas palavras.
Hoje quero sentir que nem todos são normais. Uns chatos e medrosos demais para se exporem ao mundo. Para se abrir aos outros. Todos parecem se esforçar demais para permanecer na superficialidade das relações humanas. Assim, acabam deletando o resto de suas partes. Deixando-se para o passado, aquele pedacinho de infância que se perdeu no tempo…
Jan,12.
Morte
A
tinta que hoje me falta os lábios, que hoje me falta nos olhos, eu
posso pegar das flores? Com a promessa de devolver o carinho? Vamos
lá, flores. Me doem um pouco da natureza que guardam em si. Me doem
um pouco das cores que jamais encontrarei nessa cidade. Eu desisto.
Não vou mais procurar no lugar errado. E no futuro, haverão
centenas de girassóis apontados para o céu, revoados pelos sons do
vento, em minha direção. Nós seremos a mais fiel representação
do amor. Eu cuido de vocês. E vocês cuidam de mim.
Jan,6.
Jan,6.
Re-custura.
Sinceramente? Cansei daquela minha parte que escrevia pros outros. Muitas vezes, nós seres humanos, transformamos a consequência de uma determinada ação no motivo para fazê-la, mas consequências, são consequências, apenas deveríamos esperá-las. Sabe, acabei perdendo a minha essência ao perder a essência das coias que fazia.
Eu não estou pronta para perder uma pessoa agora, e também não quero me esforçar a estar. Eu não consigo encontrar a verdade que está por trás de mim. Eu não encontro minhas próprias entrelinhas. O que eu faço e porque eu faço? Qual a necessidade que causa minhas ações? Amor. É, o amor que falta em mim. Porque sou assim mesmo, vazia.
Talvez eu sinta mesmo o tal de "orgulho". O orgulho de deixar entrar todas as causas que me espancaram. Talvez não seja a religião. Talvez seja o meu pai. Talvez a religião contribua para isso, mas assim como ela contribui para outras mil coisas boas. Que choque. Sempre odiei essa crença em Deus pelo o que meu pai faz através dela. Mas talvez eu esteja errada, talvez o errado foi mesmo o que meu pai fez através da religião e não o que ela fez a ele.. Eu não posso culpá-la. E talvez nem meu pai. Nossa, tudo me machucou tanto que eu realmente agi que nem uma criancinha odiando o alvo errado. Certo, tem muitas coisas que eu simplesmente não concordo na religião, mas eu não preciso me manter longe da crença em um deus por causa disso. Eu realmente posso discordar. Eu realmente posso acreditar no que eu quiser. Porque não? Não devo me limitar aos dogmas de uma Igreja. Eu devo acreditar apenas no que eu sinto como verdadeiro e certo. Acreditar ou não em deus traz muitas guerras.
Eu quero é me manter em segredo. Quero esconder todos os meus calos e machucados - as cicatrizes que ficaram. Mas eu também quero ser descoberta - não só isso! - eu quero que o descobrir seja gostoso, seja amável. E isso, eu odeio. Eu odeio necessitar de alguém, no entanto sei que quanto mais rápido aprender isso melhor: nós não sobreviveríamos sozinhos. Eu, pelo menos, não. O engraçado é esse auto enganar-se o tempo inteiro, dizendo que sou forte. Não sou. Sou cheia de medos. Mas agora não me escondo naquilo que eu queria ser, agora, quero entender o que verdadeiramente sou nesse presente, para depois poder remendar algo por cima. Não quero me dar por metade.
Sabe, eu posso ser uma boa pessoa sem acreditar em tudo o que a religião trás, eu até nela mesmo. Mas tenho que saber se o motivo desta recusa será puramente sobre mim. Não vou me esforçar a gostar disso por alguém. Esse alguém terá que gostar de mim pelo o que eu sou. Ainda tenho muitas dúvidas. E muitas opiniões contrárias. (Eu não vou fazer isso, eu não vou fazer isso de jeito nenhum. Não vou fingir me entregar a algo que eu ainda não estou confiante para ficar com um amor e nem ter a certeza de que ele ficará)
Olha, eu acho que posso até acreditar em deus, mas nunca vou me entregar assim a sua religião. Ela distorce muito a realidade. No entanto, não quero abandonar o Shalom e as pessoas de lá.
Minha impressão é que sempre vivi a base de sombras do que eu achava que era.
Qual parte era a inventada e qual parte era a real?
Eu sei que um dia você vai cansar. Eu sei bem disso. Mas eu também preciso parar de tentar adivinhar o futuro e ter medo de que as coisas se vão. Não adianta mesmo fazer elas ficarem acreditando em algo que não gosto. Eu não posso não ser eu. Eu sempre vou questionar as coisas. Basicamente tudo. Eu preciso tentar não me apegar tanto. Caralho, tudo na vida é assim, as pessoas ficam juntas porque de alguma maneira elas precisam do que o outro possa ser para elas.
(...)
Eu não estou pronta para perder uma pessoa agora, e também não quero me esforçar a estar. Eu não consigo encontrar a verdade que está por trás de mim. Eu não encontro minhas próprias entrelinhas. O que eu faço e porque eu faço? Qual a necessidade que causa minhas ações? Amor. É, o amor que falta em mim. Porque sou assim mesmo, vazia.
Talvez eu sinta mesmo o tal de "orgulho". O orgulho de deixar entrar todas as causas que me espancaram. Talvez não seja a religião. Talvez seja o meu pai. Talvez a religião contribua para isso, mas assim como ela contribui para outras mil coisas boas. Que choque. Sempre odiei essa crença em Deus pelo o que meu pai faz através dela. Mas talvez eu esteja errada, talvez o errado foi mesmo o que meu pai fez através da religião e não o que ela fez a ele.. Eu não posso culpá-la. E talvez nem meu pai. Nossa, tudo me machucou tanto que eu realmente agi que nem uma criancinha odiando o alvo errado. Certo, tem muitas coisas que eu simplesmente não concordo na religião, mas eu não preciso me manter longe da crença em um deus por causa disso. Eu realmente posso discordar. Eu realmente posso acreditar no que eu quiser. Porque não? Não devo me limitar aos dogmas de uma Igreja. Eu devo acreditar apenas no que eu sinto como verdadeiro e certo. Acreditar ou não em deus traz muitas guerras.
Eu quero é me manter em segredo. Quero esconder todos os meus calos e machucados - as cicatrizes que ficaram. Mas eu também quero ser descoberta - não só isso! - eu quero que o descobrir seja gostoso, seja amável. E isso, eu odeio. Eu odeio necessitar de alguém, no entanto sei que quanto mais rápido aprender isso melhor: nós não sobreviveríamos sozinhos. Eu, pelo menos, não. O engraçado é esse auto enganar-se o tempo inteiro, dizendo que sou forte. Não sou. Sou cheia de medos. Mas agora não me escondo naquilo que eu queria ser, agora, quero entender o que verdadeiramente sou nesse presente, para depois poder remendar algo por cima. Não quero me dar por metade.
Sabe, eu posso ser uma boa pessoa sem acreditar em tudo o que a religião trás, eu até nela mesmo. Mas tenho que saber se o motivo desta recusa será puramente sobre mim. Não vou me esforçar a gostar disso por alguém. Esse alguém terá que gostar de mim pelo o que eu sou. Ainda tenho muitas dúvidas. E muitas opiniões contrárias. (Eu não vou fazer isso, eu não vou fazer isso de jeito nenhum. Não vou fingir me entregar a algo que eu ainda não estou confiante para ficar com um amor e nem ter a certeza de que ele ficará)
Olha, eu acho que posso até acreditar em deus, mas nunca vou me entregar assim a sua religião. Ela distorce muito a realidade. No entanto, não quero abandonar o Shalom e as pessoas de lá.
Minha impressão é que sempre vivi a base de sombras do que eu achava que era.
Qual parte era a inventada e qual parte era a real?
Eu sei que um dia você vai cansar. Eu sei bem disso. Mas eu também preciso parar de tentar adivinhar o futuro e ter medo de que as coisas se vão. Não adianta mesmo fazer elas ficarem acreditando em algo que não gosto. Eu não posso não ser eu. Eu sempre vou questionar as coisas. Basicamente tudo. Eu preciso tentar não me apegar tanto. Caralho, tudo na vida é assim, as pessoas ficam juntas porque de alguma maneira elas precisam do que o outro possa ser para elas.
(...)
~ Sobre nós e esse eu que ainda não sinto tão meu.
Sabe,
conviver com vocês era a melhor coisa do mundo. Com certeza uma das
melhores coisas que já me aconteceu. Minhas amigas. Melhores amigas.
O mundo não deixava de pesar, mas era diferente…Quando eu tinha
vocês, o meu abrigo era muito maior. Eu mesma, era maior! O nosso
separar não foi porque desatamos os nós, mas sim porque
precisávamos criar outros. Com os nossos sonhos. Fomos atrás de
cursos diferentes e de ambientes diferentes. E tenho certeza hoje que
a minha queda foi muito grande por me separar de vocês no ano 2012.
Não
vou entrar em detalhes das minhas histórias com cada uma de vocês
porque assim precisaria fazer vários textos. Então, vamos falar do
geral. Daquilo que era comum em todas nós.
Quando
nos distanciamos, eu me perdi de várias formas. Lembro que bem no
início a dor parecia muito grande, era tão grande que ocupava todo
o espaço em branco.Todo aquele branco que eu poderia vim a ser. Não
me deixava criar novas histórias, abranger meus muros, afrouxar as
minhas fitas tão rígidas, conhecer novos mundos. Era duro demais. E
talvez eu tenha deixado essa tristeza ficar por tempo demais. Abri as
minhas próprias portas pra ela adentrar meu coração e a deixei
permanecer… Me pertencer, porque essa dor, não me deixava soltar
de vocês. E algo me dizia que se a deixasse ir, talvez, só talvez,
perderia tudo que tinha de nós. Vocês entendem? Não agarrar tal
sofrimento, significaria superar a nossa perda. E eu não queria
seguir em frente. Eu não estava pronta. Meu mundo era maravilhoso ao
lado de vocês. E daí, eu me machuquei bastante. Minhas lágrimas
tão redondas não serviram de armadura contra o mundo. Eu corria na
direção contrária que a vida teimava em me levar. Rejeitei por
muito tempo o meu presente. Pois não queria deixar ele levar as
lembranças do nosso passado.
No
fim, em alguma hora ou outra, acabei deixando algumas portas abertas,
algum b®anco descoberto, mas querem saber? Isso só foi outro
choque. A realidade era outra. As pessoas eram tão imensamente
diferentes de mim. Eu não me adequava àqueles mundos. Não ao da
escola, não ao dos alunos, não ao dos professores, não a essência
daqueles muros. E então, eu só me vi caindo, caindo… As minhas
asas? Sumiram. Eu perdi tanta cor…
Confesso
que na época e ainda ontem, eu procurava nas pessoas esse nosso
jeito de se relacionar, de se amar. E de se ter. Mas esse
pertencimento igual ao nosso, eu não encontrei… Hoje eu sei bem
que igual ao nosso, igualzinho, não tem. E até eu entender isso, eu
já havia me perdido.
Mas
também não vou dizer que tudo foi sofrimento, algumas pessoas
amorteceram as minhas quedas (como Nanda, Dolfo, Paçoca, Dexter…).
E elas ainda possuem um pedacinho de mim, e ele vai ficar lá por
quanto tempo permitirem. Assim como eu, as mantenho por perto.
Mas
então, a distância foi crescendo e nos visitamos cada vez menos,
passamos 2014 (3º ano do ensino médio) quase sem se ver. Não
fazíamos mais parte da rotina uma da outra. E mudamos. Muito.
Transitamos de colégio para faculdade. Passamos por tanto problemas
sozinhas. E agora, depois de quatro anos de encontros e desencontros,
eu tenho medo. Eu morro de medo de vocês não se encaixarem. Porque
a rotina é outra, e nós estamos tão diferentes… Eu perdi tantos
pedaços de mim sem vocês… Eu acumulei tanta tristeza que me vejo
meio cinza e meio azul…Não mais verde.
Também
tenho medo de nunca mais voltar a ter meus pedaços de volta, porque
eu sei bem, eles faziam parte da minha essência. Por isso que amo
tanto reencontrar vocês! Eu me sinto de volta. (Aos pouquinhos,
claro) Esse eu desperta como se ainda estivesse ali, apenas esperando
uma oportunidade para voltar.
Mas
esse eu incompleto que sou hoje, ainda não aceito bem… É muito
difícil ver quem se é, e abraçar esse eu sem ter a certeza de que
ele realmente lhe pertence… Mas estou aprendendo… Eu espero.
E
um dia, espero que esse medo não me prenda tanto assim, que eu me
deixe ser de vocês, que eu não tenha medo de vocês não gostarem
dessa nova eu, que eu me permita, que eu adore o risco novamente.
Pois assim poderei me dar por inteiro e agarrar vocês aos meus dias,
completamente.
(Um
último segredo? Ontem, finalmente, eu pude ver os primeiros nuances
desse meu grande medo desbotarem de mim.)
(;
-
Para: Marina,Carol e Júlia.
Jan,14
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