Começar a doar meus livros está sendo uma grande obra de Deus na minha vida. Não os dei para ninguém ainda, mas só de estar separando-os para longe de mim e da minha estante, já me causa uma dor, um certo aperto. Os livros sempre foram os meus melhores amigos, a minha segunda voz, pois vivenciamos juntos nossas histórias. Também foram: ouvidos para minhas lamentações, forças para as minhas desistências e grandes depósitos de lágrimas escondidas. Tanto é o meu apego que ao me despojar deles, sinto como se estivessem arrancando pedaços de mim. Mas agora, sinto que preciso deixar que Deus ocupe esse lugar sobre mim.
Bem sei que eles foram presentes de Deus para mim, pois quando eu ainda não O tinha por amigo (não por Sua vontade mas por minha escolhida cegueira) me deu todos esses personagens como família e consolo, como um barco cheio de presentes em que eu pudesse abarcar e me guiar pelo mundo. Ele sabe, como sabe! que eu não aguentaria sem eles.
Cada livro constitui uma história, não somente aqui ali contém, mas a de quem escreveu e a de quem leu, cada livro representa um olhar sobre a vida, significa um recomeço, uma amostra de identidade, guardam grandes sonhos,anseios,medos e compõem-se de muita imaginação. Que o senhor me guarde nessas faltas, porque eu bem sei que fazer isso é para o meu próprio bem, por mais que minhas vontades teimem em me dizer o contrário.
Sei que poucos são os que compreendem meu despojamento, mas não é preciso. Somente com a graça de Deus e seu convívio.
Porque eu tenho que me sentir inteira sem nenhum deles presente fisicamente, mas dentro de mim. Mas antes de tudo, eu preciso me sentir completa somente ao Teu lado, aplicando na memória e na vida que só Deus basta como minha amiguinha Santa Teresa me ensinou. Para enfim no depois, entender que também O posso ver e sentir nas coisas materiais e naturais, porém sem muito apego. Que o nosso canal de comunicação primeiro sejam as missas, as orações, as noites de vigília, depois os livros. Mas claro, não todos.
No fim, entender que o Senhor está em todas as coisas, sabendo que por onde meus pés passam, elas sussurram o Teu nome.
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