terça-feira, 21 de abril de 2015

A luz desse dia me entorpeceu como o luar que resplandece as pálpebras de um cego






Guarda-chuvas e o meu mínimo a dizer sobre eles.

Eu gosto de guarda-chuvas. Mas não em épocas chuvosas. Gosto porque posso esconder meus olhos de quem quiser. Me escondo do mundo com aquele chapéu esvoaçante que as vezes o vento faz questão de levar. Mas fecho meus dedos envolta da sua ponta que liga meu corpo junto ao seu. É (como) uma esperança que as vezes preciso me agarrar, semelhante a um balão que busca incessantemente seu lar no céu.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Estupro infantil

O dia amanheceu forte dentro de sua cabeça
mais agitado comparado as outras manhãs
contudo, mas suave do que o cair pesado dos olhos na escuridão anterior
Um minúsculo sal do mar
revirado pela pressão das ondas
era como ela.
Os sons do sexo batiam freneticamente em seus pensamentos
atormentando-a
seu corpo nunca havia sido
tocado antes,
nem pela suas próprias mãos
por isso, sentira-o como
uma explosão. 
Quando buscava as lembranças turvas na escuridão da noite passada
se perdia nos desdobramentos
tão nítidos
que a faziam confundir o agora com o antes:
as memórias... 
Seu corpo
havia se partido
pois
fora obrigado a nascer
pela brutalidade de mãos
desejosamente esquecidas
Os toques bruscos
simultâneos
a fizeram sentir partes do seu corpo
ainda desconhecidas
As lembranças embaçadas
caminhavam em seus ombros como pedras que devem ser jogadas para longe.

Um pedido silencioso de socorro

Um dia escuro amanheceu pela janela de sua cama e de repente, ela não soube mais como era a sensação de estar viva.
Tudo dentro dela havia escurecido em contraste ao dia ensolarado que surgira talvez para outras pessoas naquela mesma manhã.
Pulou seus pés descalços para fora da cama na tentativa decidida de que ia encontrar uma razão para aquele sentimento borbulhante em seu peito. Mas a lua se tornou nítida  e o mundo ainda estava incolor.
Procurava achar-se traduzida em algum chapéu, em algum sorriso, em alguma malha de algodão, foi até as artes mas de nada adiantou...Essas apenas agravaram esse grito acordado em seu estômago.
E ali passou a não caber mais, se tornou tão grande que escorreu, perdeu-se, sumiu-se por falta de alguém em que pudesse estender seu mundo.

Passagem

Sinto-me presa a uma manifestação nubladora de mim. Como uma nuvem que de passagem projeta sua sombra sob todo o meu corpo, enegrecendo o que chamo de minha turva realidade. Essa manifestação desconhecida me visita por vezes na semana, me pega desprevenida e leva-me para muito longe de onde estou... E sem saber como voltar, travo uma luta invisível nos preâmbulos de um grande meio termo que me incomoda e me comove profundamente.