sábado, 28 de fevereiro de 2015

Uma homenagem quase insignificante ao inventor morto Robert Kearns

Obrigada por não vender seus pensamentos, obrigada por se manter firme e lutar por um mundo justo, obrigado por não desistir daquilo que era certo, obrigada simplesmente por ser quem você era.
Em nosso século vemos diariamente uma única palavra verde ser mais imponente do que outras como justiça, amor, ética, comprometimento humano, competência, profissionalidade, etc. A humanidade está invertida. Me parece muito mais humano, as vezes, o que está bem longe dela. Contudo, há exceções e Robert Kearns foi uma delas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Por quê?

Um cão
atravessando a pista de carros
com suas patinhas marrons
pré-mortas
e seu esqueleto visível
anunciando seu fim
comove mais
do que um homem vestido
de desespero e podridão
mostrando um pedido de socorro
nos olhos duros de uma calçada.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um adeus

Tudo se foi.
Todos os meus sentimentos se foram.
Todas as palavras que clamavam um som... uma forma... desapareceram.
Todos os desejos loucos se foram.
Todas as cheísses borbulhantes esconderam-se.
Toda a vida não restou
Toda a esperança se dissolveu.
Todas as lembranças fugiram.
Todas as observações? Foram-se!
Não há nada aqui
Não tem mais o que dizer, o que fazer...
E também não tem mais o que ser.
Acabou.



Essa cheísse me alimenta em dias infidáveis.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Esperança morta

Já não preciso ouvi-los
pulsos de alegria pulam
em meu estômago
Vejo borboletas azuis
flutuando
em meus olhos
Grito
pois estou morrendo.
O som fúnebre e cálido
tão eterno dentro de mim
voa pelo céu das almas cinzas
E meu corpo branco
estremece na escuridão
Estou viva?
pergunta meu ser
quando as certezas dizem adeus
temo nunca descobrir
a tal resposta.
Aguardo
impaciente
um futuro eu
mais promissor e útil
do que foi e talvez, é agora.



Lágrima

Uma poça d'água
refletida pela escuridão
O fracasso batendo nos olhos
tão adocicados
pelas pancadas roxas
deste vasto mundo
Uma gota
uma única gota
ca
   in
      do
pelo brancos ares
invisível aos olhos de quem
diz ver
Mas quando es-pa-ti-fa-da
pelo concretocinza
se dissipa
lentamente
E cada minúscula particulazinha
do seu corpo
gru
da
-se
às outras almas
Brevemente, tornou-se eterna.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Causa e efeito

os melhores em geral morrem por suas próprias mãos
apenas para sair do caminho,
e aqueles deixados para trás
não chegam nunca a compreender
como alguém
poderia chegar a querer
sair do
caminho
deles
- Bukowski

A dor túrbida do desconhecido balanço que está dentro de mim, foi o que me fez monologar isto aqui.

Estou afogada em palavras que não são minhas.
Em palavras que me descrevem.
São todas essas mágicas palavras que me fazem
Que envolvem e bordam o perímetro de todo o ser, que já não sei se é unicamente meu.
Não. Não é. E também não há como ser. Nunca foi.
Como não pode ser magnífico a identificação silenciosa interseres?
Minha mente não entende corpos vazios,
esses corpos repulsivos sem encaixe para uma única alma.
Não acha explicação, para quem vive sem viver
quem ama por amar
quem deixa de saber
Não acha justificativa para quem não tem vida.
Eu vejo a comunicação abstrata entre dois seres, invisível.
É o que me faz respirar neste momento confundível de tudo.
O espaço indefinível entre quem já morreu ou quem está muito longe, e eu.
Nesse longo caminho sem forma, reside de passagem, o ínterim, mas não o fim, de minhas elucubrações.
Imagino eu, que são pequenos pontinhos de energia que emanam meu mar de sentimentos numa única direção: para a alma de quem me deu a sua.
Nessa troca atemporal de vivências, eu sobrevivo transpirando horror e expandindo meu peito aberto para adentrar a cor que já desapareceu.
Mas que ser insignificante o meu?
Alguns até poderiam dizer que vivo do resto daquilo que nunca foi meu,
entretanto, digo que vivo da vida de quem já me deu.
E questiono: há algo que não seja do mundo?
Mas que os seres humanos mentem a dizer que são (particularmente) seus?
Agora, transbordo eu, ainda buscando voltar para a ordem que não se sucedeu, nas palavras
confusas
obscuras
que nunca ficarão nesse papel.
O meu corpo escuro, coberto de águas fundas,
estende os braços frenéticos de dedos abertos,
a procura do fim imaginável para o texto ínfimo que "vos" escrevo...
Ou seja, a procura simultânea de um final para mim.
Mas quem disse que tem que ter um fim?
Eu continuo...

"Eu quero meu futuro de volta!"

Eu dedico isso aos loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os encrenqueiros. Os pinos redondos em buracos quadrados. Os que fogem ao padrão. Aqueles que veem as coisas de um jeito diferente. Eles não se adaptam as regras, nem respeitam o status quo. Você pode citá-los ou não concordar com eles, desacreditá-los, glorificá-los ou desprezá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles inventam. Eles imaginam. Eles curam. Eles exploram. Eles criam. Eles inspiram. Eles empurram a humanidade para frente. Talvez eles tenham que ser loucos, porque somente os que são loucos o bastante para acreditarem que podem mudar o mundo, são os únicos que realmente mudam.”
— Jack Kerouac.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Je suis pas Charlie.

Bonequinha de luxo

Ela saiu de casa cedo
Para nunca mais voltar
a ver a si mesma
Na época, apenas 15 anos tinha
E escolheu largar seu mundo
pois
precisava viver de outra forma que não lhe aprisionasse tanto
Então mudou de função
e logo em seguida, seu nome também mudou
Na mesma manhã, deixou de ser doméstica.
Caminhavam pensantes
seus próprios pés
acima do solo
ao lado dos lagos
abaixo das estrelas
Saiu de casa para ser
mas ser o quê?
Dessa vez, o que ela desejasse.
Sua obrigações
psicológicas e sociais
diluíram-se
na sua nova autonomia
Mas suas novas relações
não passavam de uma camada superficial
preenchida com o vazio.
Insistia na afirmação
de que seu coração era
acima de tudo indomável
como um animal selvagem que não pode ser controlado
domesticado
acariciado
amado.
Muitos não conseguiam ver o véu de medo que cobria e deformava tais palavras
A exceção veio como a chuva: sem avisar
Pela boca de quem
seu coração passou, definitivamente, a pertencer
quando lhe disse:


"Sabe qual é o seu problema, Srta. Quem-quer-que-seja? Você é medrosa. Não tem coragem. Tem medo de encarar a realidade e dizer "A vida é um fato. As pessoas se apaixonam sim e pertencem umas às outras sim, porque esta é a única chance que têm de serem realmente felizes”. Você acha que é um espírito livre, selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bem, querida, você já está nessa jaula. Você mesma a construiu. E ela não fica em Tulip, Texas ou em  Somaliland. Ela está em qualquer lugar que você vá. Porque não importa para onde você corra, você sempre acaba trombando consigo mesma. "


Um longo silêncio infundiu seu coração
que lhe batia
seus olhos diziam saber que tudo aquilo
era verdadeiro
-Era um dia chuvoso-
e se entregou
achando seu novo lar
no amor.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Nirvana



"sem grandes chances,
completamente desprovido
de propósito,
ele era um jovem
seguindo de ônibus
cruzando a Carolina do Norte
em direção a
alguma parte
e então começou a nevar
e o ônibus parou
num pequeno café
nas montanhas
e os passageiros
ali entraram.

sentou junto ao balcão
com os outros,
fez o pedido e a
comida chegou.
a refeição estava
especialmente gostosa
assim como o café.

a garçonete era
diferente das mulheres
que ele
conhecera.
não era afetada,
sentia que dela
emanava um humor
natural.
a frigideira dizia
coisas malucas.
a pia,
logo atrás,
ria, uma risada
boa
limpa e
prazenteira.

o jovem assistiu
à neve cair através da
janela.

queria ficar
naquele café
para sempre.

um sentimento curioso
perpassou-o por completo
de que tudo
era
lindo
ali,
de que sempre seria
maravilhoso ficar
por ali.

então o motorista do ônibus
disse aos passageiros
que era hora de
partir.

o jovem pensou,
ficarei sentado
aqui, apenas ficarei onde
estou.

mas então
ele se ergueu e seguiu
os outros até o
ônibus.

encontrou seu assento
e olhou para o café
através da janela do
ônibus.
então a partida do
veículo, logo uma curva,
em declive, afastando-se
das montanhas.

o jovem
olhou diretamente
para frente.
ouviu os outros
passageiros
falando de outras coisas,
ou então eles
liam
ou
tentavam
dormir.

não haviam
percebido
a
mágica.

o jovem
virou a cabeça para
o lado,
fechou os
olhos,
fingiu
dormir.
não havia mais nada
a fazer -
apenas escutar
o som do
motor,
o som dos
pneus
sobre a
neve."



 


Buk <3

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Era pra ser um dia tranquilo...

Um homem deitado no chão esfarelado
de tinta marrom
em baixo de uma árvore de pele marrom
seu corpo camuflado também era de cor marrom
O homem dormia ali
permanecia incrustado nas raízes rechonchudas
Eu o notei
mas o homem nem sentiu o meu olhar 
ele estava ali 
deitado parado
talvez só ali
As curvas do seu corpo somavam-se as elevações das ramificações arbóreas
que se somavam com o chão escuro
Aquele era o seu mundo e ninguém o tocava
Meus olhos cheios de ousadia seguiam as ondas
do que parecia um só mar
na tentativa de transpor aquela barreira
invisível
chegar ao coração daquilo que não poderia ser chamado mais de homem.
Foi a miscelânea mais...
miserável
refletida em meus olhos ínfimos 
naquele dia sombrio.
Continuei andando
deixando para trás o que eu não poderia conceituar em um indistinguível e único vocábulo
 quando ouvi o som provisório de meus próprios passos
em uma avenida cheia de movimentos bruscos e ruídos violentos
a perplexidade do vazio mundano 
ausente de sons
fez-me distrair
e não vi quando se aproximavam...
jogaram algumas palavras soltas aqui e ali
e meus olhos continuavam em direção ao chão
até serem sugados por aquele desconhecido alguém.
Que olhos escuros os meus olhavam agora!
O momento durou muito
Era mais do que eu tinha para mim
E por isso, parada ali mesmo, fui embora. Roubada.
Meus restos caminhavam 
mais uma vez
pela calçada. 
E durante a espera no ponto de ônibus 
tentei sorver tudo que inclusive não via
no ar impuro da cidade grande
O barulho do automóvel chega
E com ele o seu ocupamento no espaço. 
De modo irresoluto, subo os degraus trapaceiros que dizem se mover
e nada acontece enquanto ignoro outros olhares observadores
Então a apatia na bolsa
aperto o botão de pedir parada
mas esqueço a minha mãe nele 
é então que levo um susto:
uma mão desconhecida segura a minha.
Do nada a mão veio, e desapareceu.
Uma mão bronzeada
amorenada
escura
que me interceptou despreparada... Como pode alguém me alcançar de modo tão inóspito? Ou pior, como posso eu, ser tão vulnerável?!
Já sem forças, desço do ônibus com meus olhos turvos
e permaneço. Mas não sei se me desfaço. 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A música, a letra, eu.

Quando ouço o ritmo da melodia meu corpo grita, abrindo-se como um livro surpreendido pelo vento que esvoaça suas folhas de repente, as palavras tremem, mas não despencam porque estão presas às folhas de papel, as folhas não soltam, porque permanecem fixas a capa, e esta, ao título que é meu nome. Entram em sintonia cada vértice da minha pele, cada curva do meu corpo sente o som da música que envolve meu coração.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Dentro de mim

Não sei mais o que sentir de tantas emoções e dúvidas que já foram devolvidas às entranhas do meu corpo, que não chegaram ao menos no céu ondulado de minha voz...De tantas lágrimas enxutas que não foram sentidas na pele de meu rosto, o gosto salgado da solidão que não deixei escorrer. E me pergunto agora onde está tamanha bagunça? Certamente longe. Bem longe. Em algum lugar que não possa emergir. Diante disso, lembro-me que apenas os seus toques são sensíveis em mim. São esses leves dedos que conseguem me despertar de um sono grotesco e profundo que mais ninguém conhece.

O que seria...?

O que seria do céu se todos os pássaros cortassem suas asas?
O que seria do chão se não houvessem calcanhares para pisá-lo?
O que seria do brilho dos olhos se não houvesse mais vida?
O que seria do corpo se cada luz fosse uma pancada?
O que seria da pele se cada brisa fosse um choque?
O que seria de vocês se respirassem semelhante aos meus pulmões?