Estou afogada em palavras que não são minhas.
Em palavras que me descrevem.
São todas essas mágicas palavras que me fazem
Que envolvem e bordam o perímetro de todo o ser, que já não sei se é unicamente meu.
Não. Não é. E também não há como ser. Nunca foi.
Como não pode ser magnífico a identificação silenciosa interseres?
Minha mente não entende corpos vazios,
esses corpos repulsivos sem encaixe para uma única alma.
Não acha explicação, para quem vive sem viver
quem ama por amar
quem deixa de saber
Não acha justificativa para quem não tem vida.
Eu vejo a comunicação abstrata entre dois seres, invisível.
É o que me faz respirar neste momento confundível de tudo.
O espaço indefinível entre quem já morreu ou quem está muito longe, e eu.
Nesse longo caminho sem forma, reside de passagem, o ínterim, mas não o fim, de minhas elucubrações.
Imagino eu, que são pequenos pontinhos de energia que emanam meu mar de sentimentos numa única direção: para a alma de quem me deu a sua.
Nessa troca atemporal de vivências, eu sobrevivo transpirando horror e expandindo meu peito aberto para adentrar a cor que já desapareceu.
Mas que ser insignificante o meu?
Alguns até poderiam dizer que vivo do resto daquilo que nunca foi meu,
entretanto, digo que vivo da vida de quem já me deu.
E questiono: há algo que não seja do mundo?
Mas que os seres humanos mentem a dizer que são (particularmente) seus?
Agora, transbordo eu, ainda buscando voltar para a ordem que não se sucedeu, nas palavras
confusas
obscuras
que nunca ficarão nesse papel.
O meu corpo escuro, coberto de águas fundas,
estende os braços frenéticos de dedos abertos,
a procura do fim imaginável para o texto ínfimo que "vos" escrevo...
Ou seja, a procura simultânea de um final para mim.
Mas quem disse que tem que ter um fim?
Eu continuo...
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