quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Bonequinha de luxo

Ela saiu de casa cedo
Para nunca mais voltar
a ver a si mesma
Na época, apenas 15 anos tinha
E escolheu largar seu mundo
pois
precisava viver de outra forma que não lhe aprisionasse tanto
Então mudou de função
e logo em seguida, seu nome também mudou
Na mesma manhã, deixou de ser doméstica.
Caminhavam pensantes
seus próprios pés
acima do solo
ao lado dos lagos
abaixo das estrelas
Saiu de casa para ser
mas ser o quê?
Dessa vez, o que ela desejasse.
Sua obrigações
psicológicas e sociais
diluíram-se
na sua nova autonomia
Mas suas novas relações
não passavam de uma camada superficial
preenchida com o vazio.
Insistia na afirmação
de que seu coração era
acima de tudo indomável
como um animal selvagem que não pode ser controlado
domesticado
acariciado
amado.
Muitos não conseguiam ver o véu de medo que cobria e deformava tais palavras
A exceção veio como a chuva: sem avisar
Pela boca de quem
seu coração passou, definitivamente, a pertencer
quando lhe disse:


"Sabe qual é o seu problema, Srta. Quem-quer-que-seja? Você é medrosa. Não tem coragem. Tem medo de encarar a realidade e dizer "A vida é um fato. As pessoas se apaixonam sim e pertencem umas às outras sim, porque esta é a única chance que têm de serem realmente felizes”. Você acha que é um espírito livre, selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bem, querida, você já está nessa jaula. Você mesma a construiu. E ela não fica em Tulip, Texas ou em  Somaliland. Ela está em qualquer lugar que você vá. Porque não importa para onde você corra, você sempre acaba trombando consigo mesma. "


Um longo silêncio infundiu seu coração
que lhe batia
seus olhos diziam saber que tudo aquilo
era verdadeiro
-Era um dia chuvoso-
e se entregou
achando seu novo lar
no amor.

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