Eu
não sei o que faz essa tristeza andar lado a lado comigo, apertando
a minha mão tão forte. Eu sinto falta das pessoas. Todo contanto
virtual é pouco. Não me satisfaz. Toda magia, horror e sentimento
lento que a presença real trás, evaporou. Eu não sinto mais a
surpresa de ser tocada pela pele macia; eu não vejo mais a beleza do
contraste, seja o da cor do cabelo escuro com a pele clara, seja a do
vestido amarelo sobre a pele negra… Não vejo mais aquela estrela
que brilha no olhar quando a boca conversa sobre algo que a mente
ama; eu não vejo mais os fios de cabelos desgrenhados,bagunçados
que tanto adoro; eu não escuto mais o som de uma voz que vibra nas
ondas sonoras o (meu) mundo, que reflete o eu, e que se espalha
invisível no silêncio do horizonte.
Olha, faz muito tempo que eu não paro para amar e para observar com delicadeza as infinitudes de alguém, sinto falta de quando os olhos se apertam no contexto certo, sinto falta dos murmúrios evocados durante uma conversa qualquer, sinto falta dos traços, aqueles que desaparecem e reaparecem na face em sintonia com as emoções determinadas de cada um. Enfim, é essa falta que me mata. É esse caminhar simultâneo das expressões com os pensamentos de todo ser humano que desapareceu. Todos parecem meio mortos ou inalcançáveis.
É por isso que me apego aos livros, onde borbulham as almas de escritores vivos, onde leio o coração daqueles que escreveram suas histórias. Desejo ardente de ler Virgínia Woolf, sentindo cada paradoxo de suas frases, sentindo a respiração complexa dos personagens, e vendo, na medida que passam-se as páginas, o surgimento de um mundo lindo que ficava por trás de seu olhar. De um olhar perene e detalhístico sobre a realidade que foi se jogar nas palavras.
Hoje quero sentir que nem todos são normais. Uns chatos e medrosos demais para se exporem ao mundo. Para se abrir aos outros. Todos parecem se esforçar demais para permanecer na superficialidade das relações humanas. Assim, acabam deletando o resto de suas partes. Deixando-se para o passado, aquele pedacinho de infância que se perdeu no tempo…
Jan,12.
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