sábado, 30 de janeiro de 2016

~ Sobre nós e esse eu que ainda não sinto tão meu.


Sabe, conviver com vocês era a melhor coisa do mundo. Com certeza uma das melhores coisas que já me aconteceu. Minhas amigas. Melhores amigas. O mundo não deixava de pesar, mas era diferente…Quando eu tinha vocês, o meu abrigo era muito maior. Eu mesma, era maior! O nosso separar não foi porque desatamos os nós, mas sim porque precisávamos criar outros. Com os nossos sonhos. Fomos atrás de cursos diferentes e de ambientes diferentes. E tenho certeza hoje que a minha queda foi muito grande por me separar de vocês no ano 2012.
Não vou entrar em detalhes das minhas histórias com cada uma de vocês porque assim precisaria fazer vários textos. Então, vamos falar do geral. Daquilo que era comum em todas nós. 
Quando nos distanciamos, eu me perdi de várias formas. Lembro que bem no início a dor parecia muito grande, era tão grande que ocupava todo o espaço em branco.Todo aquele branco que eu poderia vim a ser. Não me deixava criar novas histórias, abranger meus muros, afrouxar as minhas fitas tão rígidas, conhecer novos mundos. Era duro demais. E talvez eu tenha deixado essa tristeza ficar por tempo demais. Abri as minhas próprias portas pra ela adentrar meu coração e a deixei permanecer… Me pertencer, porque essa dor, não me deixava soltar de vocês. E algo me dizia que se a deixasse ir, talvez, só talvez, perderia tudo que tinha de nós. Vocês entendem? Não agarrar tal sofrimento, significaria superar a nossa perda. E eu não queria seguir em frente. Eu não estava pronta. Meu mundo era maravilhoso ao lado de vocês. E daí, eu me machuquei bastante. Minhas lágrimas tão redondas não serviram de armadura contra o mundo. Eu corria na direção contrária que a vida teimava em me levar. Rejeitei por muito tempo o meu presente. Pois não queria deixar ele levar as lembranças do nosso passado. 
No fim, em alguma hora ou outra, acabei deixando algumas portas abertas, algum b®anco descoberto, mas querem saber? Isso só foi outro choque. A realidade era outra. As pessoas eram tão imensamente diferentes de mim. Eu não me adequava àqueles mundos. Não ao da escola, não ao dos alunos, não ao dos professores, não a essência daqueles muros. E então, eu só me vi caindo, caindo… As minhas asas? Sumiram. Eu perdi tanta cor…
Confesso que na época e ainda ontem, eu procurava nas pessoas esse nosso jeito de se relacionar, de se amar. E de se ter. Mas esse pertencimento igual ao nosso, eu não encontrei… Hoje eu sei bem que igual ao nosso, igualzinho, não tem. E até eu entender isso, eu já havia me perdido.
Mas também não vou dizer que tudo foi sofrimento, algumas pessoas amorteceram as minhas quedas (como Nanda, Dolfo, Paçoca, Dexter…). E elas ainda possuem um pedacinho de mim, e ele vai ficar lá por quanto tempo permitirem. Assim como eu, as mantenho por perto. 
Mas então, a distância foi crescendo e nos visitamos cada vez menos, passamos 2014 (3º ano do ensino médio) quase sem se ver. Não fazíamos mais parte da rotina uma da outra. E mudamos. Muito. Transitamos de colégio para faculdade. Passamos por tanto problemas sozinhas. E agora, depois de quatro anos de encontros e desencontros, eu tenho medo. Eu morro de medo de vocês não se encaixarem. Porque a rotina é outra, e nós estamos tão diferentes… Eu perdi tantos pedaços de mim sem vocês… Eu acumulei tanta tristeza que me vejo meio cinza e meio azul…Não mais verde.
Também tenho medo de nunca mais voltar a ter meus pedaços de volta, porque eu sei bem, eles faziam parte da minha essência. Por isso que amo tanto reencontrar vocês! Eu me sinto de volta. (Aos pouquinhos, claro) Esse eu desperta como se ainda estivesse ali, apenas esperando uma oportunidade para voltar.
Mas esse eu incompleto que sou hoje, ainda não aceito bem… É muito difícil ver quem se é, e abraçar esse eu sem ter a certeza de que ele realmente lhe pertence… Mas estou aprendendo… Eu espero.
E um dia, espero que esse medo não me prenda tanto assim, que eu me deixe ser de vocês, que eu não tenha medo de vocês não gostarem dessa nova eu, que eu me permita, que eu adore o risco novamente. Pois assim poderei me dar por inteiro e agarrar vocês aos meus dias, completamente. 
(Um último segredo? Ontem, finalmente, eu pude ver os primeiros nuances desse meu grande medo desbotarem de mim.) 
(;
- Para: Marina,Carol e Júlia. 

                                                                                                                                Jan,14


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