segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Cinema é pra ir.

Quase dói não ir lá. Cinema é um desses lugares que você precisa frequentar as vezes (certo, as vezes muitas vezes) para sobreviver a todo transtorno que o mundo lhe trás. Saudade daqueles filmes sensíveis, singelos e incríveis. Saudade do abraço de pazes entre mim e o mundo ao sair de cada sessão. Daquele bem-estar. Saudades de ao chegar, subir aquelas escadas assistindo os vitrais que - apesar de antigos, eu sempre me surpreendo -nunca parecem os mesmos. Além de que nos acompanham a cada degrau solícito. Saudade de ficar sentada na poltrona fingindo que o longa ainda não terminou e ser uma das últimas a sair da sala, não me lembro se já clara ou escura. Saudade da ânsia de criança que suspendia meus olhinhos brilhantes ao fim da sessão. De sair meio saltitante por saber que o mundo ainda guarda um pouquinho de mágica dentro de si. E que de alguma forma, essa mágica foi me dada, e me pertenceu por algumas horas e alguns minutinhos depois. Saudade do café gelado e da madeira espalhada. Saudade até da mulher estrangeira cheia de tatuagens e simpatia que serve as comidas caras. Cinema é pra ir, não pra deixar que a vida lhe mantenha longe dali.

- saudades Fundaj - 


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