Se em minhas palavras eu não consigo depositar a confiança que tenho em ti
Pelo menos em meus olhos está guardado o anseio do nosso amor
Se da minha boca não saem em retilíneo aquelas palavras que tanto queria te entregar
de meus gestos reclusos e as vezes frenéticos
é exposta a minha verdade.
Se de minhas tantas mas escassas vozes
nada te saí
expando-me a mim mesma em teu louvor
Mas senhor, em minha concha eu me resguardo tantas vezes
sem nem saber do mínimo necessário para fugir
Mas até nessas horas eu estou amando
estou amando e sentindo todo o amor
que escorre pelos meus olhos
que nasce dentro de mim sem a permissão concedida
que nasce dentro de mim sem a permissão concedida
que percorre as minhas feridas veias sem cor
Está sempre reverberando em mim, como uma tal onda do mar, a tua ausência.
enquanto estou amando e sentindo com ternura todas as nossas dores
permaneço amando enquanto explode
em mil saltos dentro de mim
essas sensações tão fortemente desconhecidas ou quem sabe, não lembradas
Não me edifico porque me mordem os medos
escuros
E na escuridão meu eu já permanece acostumado
A instabilidade vem sendo minha morada
Aos caos, minha mente já suporta.
Aos meus pulsos não cortados por teimosia, eu resisto.
A dor é familiar.
No entanto, o edificar-se me assusta.
E a estabilidade do teu amor me amedronta
E nesse gesto, eu só consigo lembrar de modo tardio
a coragem
que um dia
já fora minha.
Perdoe-me, senhor
que não escrevo em maiúsculo por ainda não saber se existe
mas ainda é escrito por ser sentido
Perdoe-me por não estar aqui o suficiente e muito mais.
Perdoe-me por não estar aqui o suficiente e muito mais.

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