E eu me pego aqui querendo escrever sobre isso, mas tendo que escrever sobre outra coisa.
Esperando que não deixe sair de mim o que mais tenho aqui: essas palavras
que moram em mim...
Meu último desespero é agarrá-las nos braços
deixando meu abraço não deixá-las ir
São elas que me tem.
Mas preciso contar a história direito:
foi uma música que despertou esse sentimento
agudo
confuso
esperneado
e deixou crescer em nós meu pensamento.
Meus pés estão postos na areia que enfrenta o vai e vem das águas familiares e esquisitas.
Fico aqui no balanço entre enfiar meus dedos nessa areia, me mantendo de pé
ou se corro para mergulhar em algo que não é meu, nesse mar de águas tão desesperadamente desconhecidas e assim, tentar escurecê-las com meu nome desmanchado em tinta.
Na dúvida
entre olhar para as portas de uma página em branco
ou cerrar meus olhos para encarar a escuridão que reside em mim.
Na hesitação
de qual escolha tomar dentre
o medo de enfrentar a estrada deserta novamente
ou sustentar o peso de quem sou
Dói. Dói demais estar em mundo no qual não me respeita e depois que ainda me ensina a não me amar.
Fico aqui pensando nessas facadas no estômago
e tentando não pensar que o melhor é abrir mão.
Tentando não pensar que o melhor é me deixar ir,
pelo simples fato de não me aguentar mais...
Me representa na dor, a arte que minhas palavras não conseguem ser.
O feto de arte que deixei morrer estacionado em mim.
A muito tempo atrás, a três anos atrás.
e que ainda mantêm a dor pulsante numa reta crescer vazia
Não dá pra se apagar o passado,
não dá pra apagar o momento exato
em que decidi me deixar partir há três anos atrás.
Só da pra viver com essa escolha.
E não me matar mais.
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