Esse livro, antes de tudo, me conduziu. Ao mesmo tempo, para mim mesma e para o mundo amplo em que permaneço. Tantas reflexões e observações acerca das experiências com a mescalina e seus efeitos alucinógenos me fizeram entender sobre a vida e o ser humano em si, incluindo principalmente suas capacidades mentais.
A mescalina encontrada nos cactos mexicanos, quando ainda era desconhecia pela ciência, já era, desde muito tempo, reconhecida como divina para algumas tribos indígenas que viviam no México e no Sudoeste dos Estados Unidos. E só foi a partir do fim do século XIX, que começaram realmente a estudá-la, analisá-la, entendê-la cientificamente.
Neste livro, Aldous Huxley conta-nos sua decisão de tornar-se cobaia voluntariamente para a pesquisa, e consequentemente suas primeiras experiências e sensações a respeito dos efeitos da droga.
" Administrada em doses adequadas, ela modifica mais profundamente a qualidade da percepção que qualquer outra droga à disposição da farmacologia, a isso aliando o fato de ser menos tóxica que as demais".
A primeira surpresa que Huxley se deparou foi de como as coisas não aconteceram de forma que ele imaginava que aconteceriam, com expectativas altíssimas imagina ver figuras heroicas, paisagens belas, templos fabulosos, tudo de olhos fechados. Mas não foi nada disso que aconteceu. O que ele entendeu foi a si mesmo, e como cada ser age e reage de maneira diferente no mundo, inclusive perante a droga. Suas estruturas biológicas e suas próprias vivências o faziam ver o universo a partir de sua única maneira.
O que torna impossível entendermos exatamente o que o outro sente, mesmo que aja uma identificação, não estamos no corpo e na mente dele e não podemos ver através dos seus olhos e sentir pela sua pele,o que podemos fazer é imaginar ou lembrar de uma situação parecida a qual nos ocorreu. E assim, compreende-lo, mas nunca por completo. Em outros casos, a conexão entre os dois universos humanos chega a ser inexistente.
Assim Huxley afirma que existimos a sós, não importa a época ou o tempo em que vivemos. E que somente indiretamente, por meio dos símbolos, é que podemos transmitir nossas experiências, sensações e vivências ao outro, que poderá guardar informações sobre elas, mas nunca elas mesmas. Pois estas, estão conosco. Pertencendo unicamente a nós, em nosso próprio universo.
Somos como bolhas silenciosas que flutuam a medida que se expandem através do tempo. E às vezes, nos esbarramos, crescendo, e às vezes nos separamos, morrendo. Para depois renascer. A singularidade nos preenche ao mesmo tempo em que fazemos parte de um só único universo que nos engloba e nos envolve, fazendo-se também parte de nós.
"Por sua própria natureza, cada espírito, em sua prisão corpórea, está condenado a sofrer e gozar em solidão[...]"
Se tratava apenas, de outro mundo.
Aquém desse que vemos com olhos diários e cinzentos, carregados de horários e compromissos importantes e manchados de pressa e estresse.
Além das margens as quais costumamos enxergar, por cima dos túneis infindáveis das preocupações rotineiras.
Um mundo no qual, não é necessário nenhuma droga para entrar, pois ele está dentro de nós.
Esse mesmo mundo que Huxley e tantos outros já chegaram a sentir, não se encontra debaixo dos olhos fechados, mas naquilo que nossa visão humana é capaz de ver.
Onde a passagem para ele está na extraordinária mudança da percepção dos fatos objetivos.
A começar por flores, mesas, cadeiras, escrivaninhas e depois livros, imagens e calças de flanela, Huxley perde seu olhar antigo e incorpora outro, onde todas as coisas são belas.
A disposição em que os objetos se encontram deixa de importar e o tempo no qual você não está mais imerso se esvai.
Apagando noções temporais e espaciais seus sentidos intensos te cobrem como uma nuvem mágica. E você passa a ver em cada fragmento da vida, o universo. Como se cada parte fosse completa por si mesma estando inserida no mundo dela. Nas flores e em sua cores, você não só sente o pulsar da vida, mas como também sente a si. Porque você está dentro de cada coisa e elas também estão dentro de você.
"[...] Um perpétuo perecer que era, ao mesmo tempo, puro Existir"
Nessas ocasiões, sua mente é preenchida pela essência e pelo significado das coisas, e sua atenção é voltada apenas para a importância da profundidade em que as coisas se encontram e que têm em si mesmas.
Enquanto ocorre uma despersonalização, como se você deixasse para trás uma parte do ser que era e passasse a focar numa única parte de si, transcendente.
Essa parte que você deixa para trás, é sua parte funcional, ativa, aquela que realiza e quer realizar ações cotidianas e tarefas inadiáveis durante a semana. Estando apenas com a sua parte contemplativa.
Assim, Huxley entra numa questão: como podemos conciliar o êxtase com a vida? Ou melhor, como podemos viver ao mesmo tempo, a vida contemplativa e a vida ativa?
Não podemos. Não inteiramente cada uma delas, mas parte delas.
EITA PORRA!
ResponderExcluircaramba, muita coisa pra discutir que acabo me perdendo no que falar....
ResponderExcluirUm, bem, acho que as pessoas, inclusive huxley, pelo que vi, exalta o valor do momento em si e não leva em conta que o momento só existe enquanto momento por que tem alguém que viveu esse momento. E alem de dar a existência a esse momento e como você sente esse momento, a essência da pessoa tem influencia completa na experiencia. (No fim tou dando um monte de volta mas oq eu quero dizer é que:) Quando você passa pra alguem atraves de qualquer meio existe ai uma troca de experiencia que se você considera "o momento" como algo que é alheio a você, esse momento cresce, de certa forma, se houver um diálogo verdadeiro sobre ele...
Um exemplo é um livro, um conto, um discurso... a partir da leitura, do contado de alguém com esse "momento" a pessoa sente, nao a mesma coisa que voce, mas ai é que ta a magia da coisa, é como se alguem desse o primeiro sopro ao lançar tal historia pra o mundo, ou ao contar oq sentiu... e esse primeiro sopro vai criar milhoes de redemoinhos mundo afora.... e essas pessoas que foram sopradas, por mais que nao saibam da existencia uma da outra, talvez, não vão estar sós por que elas viveram, separadamente e individualmente, o "mesmo momento", a "mesma experiencia". Esse viver em conjunto que é a troca de fluidos pensamenticios da sociedade é muitas vezes imperceptivel, por isso creio que ele coloca que vivemos sós, por que não percebemos o mundo inteiro a nossa volta....
Li uma vez algo que não lembro as exatas palavras, mas colocava algo como: "só existiu aquilo que alguém lembra que existiu" e desde que li sempre me intriguei muito com essa ideia...
Outra coisa que me causa muita curiosidade é o significado de significado... Depois de pensar de maneira livre de qualquer cobrança de verossimilhança cheguei a algo que acho que pro que vivi é valido.
TODAS as coisas, seres, ideias, tudo. Carrega uma especie de fumaça, que sendo traduzida pra algum tipo de forma de expressao, é o que origina o significado. E acredito que a humanidade ta tão atolada de cotidiano e trabalho e compromissos pluft, que elas colocam que o que nos dá um significado é uma associação de outros significados. como uma formula recursiva... você tem uma ideia que você conhece e cria outras apartir dela. mas isso ser um artificio que criaram pra facilitar que acabaram usando pra ser o que define. No final das contas imagino que isso esteja fazendo com que nós pensemos que tudo é feito de relações e nao existe uma fumacinha que voce pode procurar...
espero que nao tenha sido muuuuuuito confuso....
Mas encontrar essa fumacinha é algo muuuuito preenchedor e empolgante! concordiiissimo com voce
Meu lindo... Deu pra entender sim. E eu amei, principalmente a parte da fumaçinha. kkkkk Muitos Muitos pensamentos fantásticos, quero conversar melhor e pessoalmente depois.
Excluir("quanto tivermos ancorados em nosso mundo") Não é? (;