domingo, 6 de setembro de 2015

Felicidade repentina no meio da tarde

Estar bem depois de anos de tristeza é como segurar um sorriso no olhar que voa pelo céu
Finalmente se sentir bem é como caminhar com os sonhos indicados pela leveza e simplicidade dos passos 
Felicidade é ficar bem horas a fio com si mesmo. 
É estar sentada na cama vazia mas não sentir falta de ninguém lá.
É estar consigo. Estar em si. 
É sentir que a amizade dos amigos e o amor do amor fazem parte de você como um pedacinho seu.
Saber que a inseparabilidade não está nos corpos agarrados mas no sentir, mesmo separados, alguém com você, ou seja, ter a consciência de que não está sozinho, mesmo fisicamente estando. 
Tenho hoje, fazendo parte de mim, muitas histórias,
histórias que li, história que vivi, histórias que cresci.
Todas as histórias me fazem hoje. Até as que eu não lembro. Histórias de pessoas. 
Rostos, pés, maneiras, passados, sorrisos que não são meus mas os quais fui deixando me fazer.
Tenho guardado a sabedoria de que minha alma está cheia e longa.
Também percorre todo o meu corpo as lembranças fincadas gentilmente e dolorosamente sobre o meu coração
Agora eu as vejo 
Nos us formados entre os meus dedos do pé 
No meu joelho torto e cicatrizado
Em minhas pequenas ações
E nas palavras que saem dos meu lábios 
Que hoje compõem o meu 
mais mutável  eu. 
A vida 
não para 
Fica marcado em mim aqueles que de forma direta ou indireta construíram 
Modificando 
Derrubando 
Criando 
-O que quer que seja- já me compusera antes 
Eu não sou um 
Sou vários em um 
Sou todos os pontos matemáticos que fazem as três restas do número um. 
Possuo na memória
O cabelo de Júlia que acabara de acordar
As explicações curiosas de Carol 
O jeito de colocar o cabelo atrás da orelha de Bárbara 
A voz de Caio 
As fofuras de Rodolfo 
A dança e a alegria de Diana 
Os medos infantis de Mariá 
As brincadeiras com Bruna 
Enfim,
Sou todas aquelas vozes que alçaram 
a profundidade de minhas mornas águas e atravessaram a escuridão do meu mar 
Sou todas aquelas vozes que deixei ancorar dentro do meu lar
Também eu sou,
A montanha que se perde 
para o intemperismo eólico
Mas também sou eu, 
a montanha que recebe das simpáticas ventanias outros grãos
Eu sou essa imensidão 
que sofre transformações 
Sou o oceano
Desconhecido de mim mesmo 
Aquele com muitos segredos 
Sou
Tanto aquelas furiosas ondas quanto aquelas que rastejam de volta para o mar
Aquelas que rastejando, tentam alcançar uma areia intocável, aquela areia fofa que nunca foi lambida e se mantêm seca até hoje
Também sou essa fina camada de onda acabada que muitas vezes não resiste e recua para o lugar que partiu
Sou, mais do que sou, 
o tempo todo. 




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