segunda-feira, 20 de julho de 2015

Isso não é uma poema, é só mais um dia pintado de branco pelas mãos do vazio.

E se todo amor for pouco? 
E se as ondas foram demais para o chão de areia? 
E se o eco for maior que o abismo?
E se a ausência for maior do que presença sentida?
Por longos dias senti esse vazio me preencher, sentia falta de tudo. 
De uma voz, de um segredo, de um olhar compreensivo, de uma dezena de dedos ao lado dos meus, de um braço pra segurar atravessando a rua, de uma madrugada não solitária, de uma companhia pra tudo, quase como uma irmã que nunca tive. 
Precisava me sentir parte desse mundo novamente, e sozinha sei que não conseguiria isso. Mas ao mesmo tempo sentia o medo que me prendia, o medo que me impedia. Mas eu mesma o alimentava todas manhãs, como um cão de estimação, não deixando ninguém se aproximar, afinal, já haviam machucados demais. Era o meu cão que protegia os meus machucados, e o nome dele era Medo. E nem cicatrizados os cortes estavam, o sangue escorria todas as noites embaixo das estrelas. Das brilhantes estrelas inalcançáveis. Será que um dia chegaria lá em cima? pensava eu, como uma grande fã de As crônicas de Nárnia, onde as pessoas já velhas demais tornam-se estrelas no céu absoluto. Com os olhinhos meio juntos, próximos da testa, e a cabeça torta virada para os céus. 
Por muito tempo senti essa ausência rachando meu céu, por muito tempo vi ondas agarrarem a distância, e prendê-la ali, longe de mim. A distância enorme que me separava da vida,ou melhor, do que era vivo. 
E a saudade do desconhecido percorria em minhas veias como a água da chuva corre pelas ruas arenosas. 
E o meu sangue jorrava para fora de mim  escorrendo e se desmanchando como as lágrimas do céu caiam lentamente pela minha janela 
Mas isso foi a muito tempo atrás, a muito tempo atrás...
Pelo menos eu pensei que havia sido, até sentir uma alfinetada dela hoje, dessa ausência repentina que me toca de forma lenta com a ponta de seus dedos frios.A solidão que aperta meu peito e me sufoca. 
Será mesmo que sua presença não foi suficiente? Pois foi com a sua jangada que os dias clarearam. Somente depois da sua voz e do seu amor, a quem abri a porta vagarosamente para adentrar, é que me senti cheia.
Então, o que está acontecendo,amor? 
Por que a corrente fria do mar me atingiu novamente hoje? 
Por que senti a falta da vida hoje?
Eu me lembro quando 
Você apareceu e jorrou em mim todos esses lenços coloridos, esfumando os vapores verdes,amarelos,vermelhos e azuis a minha volta, em minha borda, dentro de mim. E foi como se tudo tivesse se enxugado.
Eu me sentia curada

Mas e agora? 
O que aconteceu? 

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