quinta-feira, 23 de julho de 2015

Carlos Ruiz Zafón

Devido a minha própria incapacidade de escrever um texto único e singular sobre as fabulosas histórias desse escritor, por motivos de pequenez; pois o que sinto por elas é muito maior do que aquilo que conseguiria dissertar; e por motivos de não ter lido todas as obras -ainda-, me conterei aos pequeninos textos que fiz, específicos de cada livro já lido. Mas sabendo, desde já, que tudo isso, provavelmente não passará de um erro, conforme a impossibilidade de transpor as palavras de meu coração para o papel amigo, como disse anteriormente, um erro que provavelmente acarretará em grandes limites inexistentes, e em grandes insuficiências descritas.
Pois bem, o que posso dizer, até agora, é sobre uma leve sensação de transbordamento ao levar a lembrança dessas histórias a minha consciência desvanecida; como uma alga marinha recém-nascida que cresce olhando para as metamorfoses do céu, que cresce olhando para as incontáveis faixas lambidas de ouro deixadas pelo sol longínquo, (faixas que penetravam dois mundos dançando com uma suavidade espantosa), ao mesmo tempo em que sente todo aquele universo aguado lhe preencher; dominada pela paz da imagem que lhe envolve lá de cima, lá de tão longe, mas sentida fortemente pelos seus olhos.
Eu sou essa alga marinha, e a paisagem que vejo de tão longe, a sentindo tão de perto, são as páginas dos seus livros. E a sensação transbordante é só um reflexo de tudo isso.

MARINA. Primeiro livro lido, meu, sem dúvidas, preferido.
Záfon abriu meu coração assim como ventanias abrem portas: num só galope. Depois que li Marina pelos lugares que viajei, fui sentindo impressionada o impacto assustador que esse livro me causou. E só agora me dou conta de que não consigo tirá-lo da cabeça - não somente apenas o término, mas também, enquanto meus olhos perpassavam aquelas linhas escritas pelas suas mãos -. Na medida em que ia lendo desde o primeiro parágrafo até o último, tive a dura e leve sensação de ver meu coração se abrindo e cada palavra cair em direção a um lugar secreto que há muito tempo eu havia transformado em desconhecido dentro de mim. Esse lugar embarca pavores misteriosos, sem rédeas, incontroláveis. Talvez por isso sentira a destruição dolorosa chegar enquanto terminava aquelas últimas páginas do livro... As imagens emergiam lentamente diante dos meus olhos enquanto minha boca engolia aquelas letras. E meus olhos jamais haviam visto tamanha agonia.
Me senti destroçada, arrepiada, perdida. O chão construído pelas minhas mãos desabou. Esse mesmo que havia criado para me esconder dos pensamentos que perambulavam minha mente inquieta. E um terror mágico me inundou... Pude sentir, a flor da pele, a dor da humanidade, a dor de histórias que já foram esquecidas e talvez nunca lidas por alguém, além de quem as viveu. Marina é incrível, é real, é doloroso. E ao mesmo tempo encharcado de uma beleza fantasmagórica inabalável.

O PRÍNCIPE DA NÉVOA.
Terminei de ler o Príncipe da Névoa e novamente, senti aquelas frases grudarem em minha pele. Cada palavra parecia derramar um vapor de tinta em mim, o qual denominarei de tristeza e paralisia. Quase uma resignação inevitável. Ao chegar em casa, tomei um banho, na esperança de que aquelas correntes incessantes de água levassem consigo as frases coladas em meu corpo, relutei. Mas as frases permaneceram sólidas aqui, até agora. E sinto que vão permanecer, pairando-me, por um longo longo longo tempo. Um tempo insustentável. Acredito que a história se trata, sobretudo, de amor. De um amor inimaginável, mágico. Sei bem que todos nós já o sentimos, sem perceber, mas o deixamos escapar, por motivos tão incompreensíveis quanto internos. Fala também, sobre o perdão, sobre a força de se manter vivo, sobre o entendimento mágico, invisível, e silencioso que podemos ter com alguém, e sobre proteção. Se não me engano, quase todos esses sentimentos, são sustentados unicamente, por esse verbo: amar. Qual como no livro, na vida real.




Um comentário:

  1. Eu me sinto assim quando leio Paulo Coelho. hahahaha

    Fantástico! Fantástico!

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