segunda-feira, 6 de julho de 2015

Uma história, a minha história.

Vamos parar, tá bom?


Vamos parar porque por aqui já chega.
Vamos parar porque minha alma já não aguenta mais.
Vamos parar porque eu estou cansada.


Sou um rua, pequenina e esburacada.
Onde todos os postes erguidos escolheram se apagar.
Cansada de buscar luzes.
Cansada de estar na escuridão.


Vamos parar porque a rua, não tem que ter explicação.
As respostas deveriam estar estampadas nas causas,
As respostas deveriam estar estampadas nos postes,
As respostas deveriam estar estampadas nos corpos,
A rua pode até saber as respostas. Mas ela não merece ser dita.


Vamos parar porque
Não faz sentido os postes perguntarem a rua porque ela está chorosa.
Não faz sentido os postes estranharem a rua desfigurada.
Não faz sentido os postes estranharem os arranhões.




Não faz sentido os postes escurecerem a rua,
nem perguntarem a ela o porque de está escura.




E a rua, desde que nasceu, trava essa luta para se cobrir.
A rua já tentou ser surda.
A rua já quis se esconder.
A rua já pensou em se encolher.
A rua já tentou desaparecer.
A rua quis não ser calçada.
A rua pensou em morrer.
Mas ninguém sabe, porque a rua,
é silenciosa.


Todos os dias,
ela tenta se proteger.
Todos os dias,
ela tenta se consertar, se reerguer.


A rua,
não quer ser um lugar de passagem,
não quer ser esquecida,
não quer ser não lembrada.
A rua,
quer ter alguém,
quer ver vagalumes,
quer ter um rosto pra conversar.


A rua chama,
mas ninguém, ela tem.


Vó?
Vô?
Onde vocês estão?


Eu quero
uma casa no domingo a tarde,
um bolo quentinho,
e um carinho na cadeira de balanço.
que não existe.

Não é?
Não é?!


Mas continuo procurando...


Vó?
Vô?
Onde vocês estão?


E a rua, e eu, imaginamos dois velhinhos se desvanecendo no ar...


Nós cansamos. Definitivamente cansamos.


Vamos parar
sem mais vírgulas,
sem mais incertezas,
sem mais perguntas,
Apenas vamos parar.























3 comentários:

  1. FASCINANTE! Me lembrou o Lisbon do Álvares de Campos ( Fernando Pessoa ); "Não quero nada / Já disse que não quero nada / Não me venham com conclusões / A única conclusão É MORRER!. Seu poema teve quase igual efeito em minha alma, que procura, as vezes, por isso mesmo, PARAR COM ESSAS INDAGAÇÕES DE VEZ!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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