Eu não a conhecia.
Seu nome nunca chegou aos meus ouvidos
e sua identidade nunca fora tocada pela minha...
O que eu, desconhecidamente, posso sentir de uma acontecimento assim? Será que posso?
Era tarde e o sol ainda não tinha deslizado pelo céu
Era de tarde e o sol ainda brilhava lá de cima.
Mas eu diria que para ela,
o sol já deixara de brilhar há muito tempo.
Ainda temos a quem culpar quando nos tiram
uma amiga,
uma irmã,
uma filha,
podemos reclamar com a injustiça da vida ou até com as ordens de Deus.
Mas não agora,
não dessa vez.
Como um corpo pode querer cair?
Como um corpo pode não querer mais sentir?
Como ele não pode mais estar aqui?
Detesto não ter ganhado uma pista.
Uma única pista.
Para ir correndo abraçá-la
e lhe dizer que o mundo ainda lhe guardava um lugar.
E que a ausência do amor não indica necessariamente sua inexistência,
que ele ainda podia emergir e se tornar mais forte, mais sensível, no meio desse caos depressivo.
Quanta vida havia dentro desse corpo para ele não querer mais viver?
Quantos segundos ele teve para morrer?
E há quanto tempo a morte já não havia circundado por ali?
Eu quase não tenho respostas. Eu quase não tenho certezas.
O mundo me mostrou uma outra face. A face de alguém que se atreveu a não estar mais aqui.
É preciso muita coragem para desistir.
Mas principalmente de si.
Onde está a mágica do mundo?
Perguntam os olhos que mantêm-se na força de procurar.
Mas e aqueles que nem forças mais tem?
Nós somos a mágica do mundo.
Podemos dar sentido a vida, assim como podemos tirá-lo.
Quando sentimos tanta dor, a morte aparece vestida de liberdade.
Quando sentimos tanta dor, deixar de existir é a única respiração que conseguimos dar.
Quando sentimos tanta dor, nenhuma memória é capaz de nos sustentar.
Quando sentimos tanta dor, é latente a escuridão que deixamos de gritar.
Quando sentimos tanta dor, as cores da morte passam a ser mais claras.
Quando sentimos tanta dor, enxergamos a paz por trás da morte.
Como um corpo pode não querer cair?
Num mundo em que não há beleza,
num mundo em que não há justiça,
num mundo em que não há valores,
num mundo em que não há harmonia
num mundo em que não há coração.
É fácil ver essa face do mundo, pois ele faz questão de nos apresentar.
No entanto, meu coração ainda bate, e eu ainda vivo.
Meus olhos ainda se importam.
Minha alma clama pela vida, pela magia e pela transformação.
E minha pele sente latejando as oportunidades que tenho
para afirmar quem sou e melhorar o mundo como posso.
Eu me importo.
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ResponderExcluirParabéns, vc falou e citou tão lindamente, obrigada por espalhar compreensão e amor pra quem necessita de ajuda e não de julgamento, isso ai vamos incentivar os seres até amor e não desamor.
ResponderExcluirkkkk que lindo, obrigada você também!
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