Em noites solitárias
ando pelo asfalto rigoroso
cada passo parecendo ser lentamente
enquanto todo o meu corpo se desfaz
nas brumas (d)esclarecidas de meus pensamentos incognoscíveis
que se misturam a imagem destroçadora do real
Gigantes cinzas
adormecem a cidade que aparenta
externamente
está tranquila
mas é tudo tão perenemente falso
Há desassossego na cabeça de cada um que posso enxergar
Eu só não sei se essa ilusão tranquilizadora e calma da cidade
na qual só enxergo nesses momentos malogrosos
piora ou elucida meu estado
Eu não sei se
só me irrita ou me dá um alguns segundos de sossego.
Penso que diante desse véu que me cobre de tormento
saí de mim
e conseguir enxergar uma calmaria na noite escura
é como uma última tentativa a qual minha mente realiza
na tentativa quase vã de me acalmar.
São meus olhos desesperados que procuram uma saída e esbarram na própria ilusão momentaneamente útil.
Mas meu coração permanece frenético e angustiado
diante desses altos retângulos luminosos
diante de cada automóvel
diante de cada minúscula partícula luminosa e destruidora
que segue a civilização.
Então me movimento ausente pelo chão que devora meus pés calados
E a gritante locomoção
ininterrupta
adentra em meu peito
e perpassa pelo labirinto de minhas cores
causando um cansaço inalcançável
causando um tribulação imensa em mim.
Todo esse fluxo interminável também me torna invisível aos olhos do passado e do futuro
me inserindo sem dar boas vindas
em seu tom único e deplorável.
E com suas garras
tenta por fim
me esmagar
mas minhas muralhas cósmicas
os detêm
de forma gloriosa.
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