~ 24, març.
Por cima de toda a dor a beleza sagrada paira, por cima de todo desdém entregue ao mundo de meus olhos, eu enxergo pontinhos que reluzem luz. A vida é um êxtase sem fim.
Não sei, dessa vez, os motivos pelos quais escrevo. Não sei se é porque transbordo ou se é para ter a garantia nesse papel de que um dia, fui feliz assim.Quero ser grata pelo que tenho agora, pelo que tenho em minhas pequenas mãos, pelo que posso manter em mim, por essas dádivas que fez-se brotar em meu pequenino e iniciante ano novo. Não quero reclamar pelo que não recebo, pelo “mais” que ainda não tenho, pelo que não me trazem.
Os dias tem sido belos, e acho que essa é minha frase preferida dessa semana. Pois resume o que há de mais forte em mim.
Hoje eu vejo a beleza nas mínimas coisas, nos pequenos momentos, naqueles até breve sorrisos, em certa sílaba cantarolada e saltitante pela missa, no ouvir uma história cheia de sentimentos e tentativas e belezas e sofrimentos humanos, eu vejo beleza no posicionar-se dos corpos familiares, nos breves momentos de silêncio. No hoje, eu tento ao máximo me dividir com o mundo, nós nos habitamos, e assim, há vida, há vida, há vida...
Há vida nos uniformes esvoaçados dos meninos que jogam futebol de lama, há vida na calçada repleta e vazia, há vida nas músicas que não tocam meu coração, apenas há, há vida nos murmúrios das árvores, nas luzes amarelas que perpassam meu caderno no meio da noite, há vida na sombra totalmente disforme de minha mão sobre essas linhas que escrevo, tão esquisitas agora a mim, simplesmente há. Há vida.
E hoje, aprecio o gostar de todas as cores, porque somente assim saberei estar viva. E não paro, porque tudo é bonito: os contrastes do mundo são bonitos, as veiazinhas roxas que habitam de forma aleatória minhas coxas são bonitas.
Ah! Eu gosto do mundo hoje... Mas ainda não consigo sentir Deus em quase nenhum canto dessa missa, me lembra apenas, o Seu sentir nas notas secundárias e tão discretas de uma música tocada aqui. Deve ser porque não entendo os ritos de cada momento, o que se acontece, o que há por detrás.
Neste momento, me permito sentir tudo de bom e quase ruim que essa religião me trás.

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ResponderExcluirFantástico!
ResponderExcluirSobre o sentido; não faz muito diferença, o que vale é experimentar algo que libere endorfinas pro organismo, como uma droga, só que, nesse caso, a sociedade aplaude; ora veja só, prega-se o amor, a castidade, o respeito e a humildade, imagina só um rebanho de pessoas assim? seria maravilhoso!
Bem, eu me senti assim, da forma como voce descreve, quando li pela primeira vez Kerouac e depois Ginsberg, he he - Esses sentimentos dependem muito de tipos psicológicos também, intro e extrovertidos - arquétipos, traumas, recalques enfim, um emaranhado de conceitos acadêmicos que não vale a pena serem citados aqui, resta saber que, pelo menos eu, defendo o direito de cada um procurar a si mesmo da forma como bem entender, o problema consiste quando achamos que o meio pelo qual funcionou conosco pode funcionar com qualquer um, e que a beleza, o certo e a ética deriva unicamente de uma crença - aquela a qual o individuo se apega.
Bem, todavia, porem e entretanto; estou fascinado e muito feliz pela senhorita!